Arguida de rede suspeita de assaltos a ourivesarias no Alto Minho nega crimes em tribunal

Mulher disse apenas ter contacto com um dos homens por ser colega de trabalho do companheiro, ambos também arguidos neste processo.

23 de janeiro de 2026 às 14:34
Tribunal Foto: Getty Images
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Dos nove arguidos suspeitos de associação criminosa visando o assalto a ourivesarias no Alto Minho, apenas uma mulher aceitou esta sexta-feira falar no início do julgamento no tribunal de Viana do Castelo, negando os crimes que lhe são imputados.

Natural e residente na Galiza, a arguida rejeitou os factos de que está acusada pelo Ministério Público (MP) e disse apenas ter contacto com um dos homens por ser colega de trabalho do companheiro, ambos também arguidos neste processo.

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Dos restantes, disse que alguns conhece de vista e outros conheceu esta sexta-feira no tribunal, sendo que, perante o coletivo de juízes, colocou-se à margem dos factos, afirmando diversas vezes que não sabia ou que não se lembrava.

O MP deduziu acusação "contra nove arguidos, imputando-lhes a prática, em coautoria, de um crime de associação criminosa, dois crimes de furto, um crime de furto qualificado na forma tentada, um crime de roubo qualificado na forma tentada, dois crimes de falsificação ou contrafação de documento agravado e um crime de detenção de arma proibida".

O MP associa os arguidos acusados, que estão em prisão preventiva, a uma tentativa de roubo em Vila Verde (Braga) em fevereiro de 2024 e ao assalto a uma ourivesaria em Valença (Viana do Castelo) em novembro daquele ano, realizado quando estavam já sob investigação.

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Sustenta que há indícios de que, "desde data anterior a fevereiro de 2024, quatro dos arguidos (um dos quais com funções de líder) residentes na zona da Galiza criaram uma organização destinada à prática de crimes contra o património e contra as pessoas visando, para além do mais, o assalto a ourivesarias, com especial incidência na região do Alto Minho".

"Sob o comando do líder do grupo", os arguidos recrutaram, "para operacionais na execução dos assaltos, os restantes arguidos, de outras nacionalidades e residentes noutros países", descreve o MP.

Mediante recompensas, os arguidos "implementaram uma estrutura física para a execução dos crimes - arrendando locais para instalação dos arguidos executantes" e "alugando sucessivas viaturas com as quais se faziam transportar".

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Para além disso, adquiriram "um conjunto alargado de bens e instrumentos para a execução dos crimes (como armas de fogo, gorros, luvas)", e organizaram "as incursões para os alvos".

De acordo com o MP, na madrugada de 19 de fevereiro de 2024, "os arguidos operacionais do grupo, fazendo-se transportar numa viatura com uso de chapas de matrícula de outro veículo que previamente furtaram, dirigiram-se a uma ourivesaria em Vila Verde, já após o fecho da mesma", com o objetivo de se apoderarem dos bens e valores, "só não o tendo conseguido devido à resistência oferecida pelos sistemas de segurança/fecho do local".

Já a 14 de novembro de 2024, pelas 18h15, "ao volante de um veículo automóvel usando matrículas falsas (que previamente subtraíram) deslocaram-se até a uma ourivesaria sita no centro comercial, em Valença, ainda aberta ao público", sustenta.

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"Empunhando uma arma de ar comprimido, entraram na ourivesaria, abordaram os proprietários, obrigando-os, sob ameaça de arma, a irem para a zona da caixa forte", lê-se na acusação, que acrescenta que um dos proprietários "ofereceu resistência" e um dos arguidos deu-lhe dois murros na cara, "provocando-lhe a queda no chão e prosseguindo com as agressões físicas".

"Em simultâneo, enquanto dois outros arguidos permaneciam a vigiar, um terceiro irrompeu na ourivesaria, munido de uma arma de fogo e uma chave de fendas, começando a partir as vitrinas do estabelecimento onde estavam expostos inúmeros artigos em ouro (no valor de 400 mil euros)" e, nesse momento, "foram surpreendidos pela presença das autoridade, o que os impediu de levar os referidos bens e valores dos ofendidos".

O alegado líder "tinha na sua posse a quantia de 118.830 euros, gerada e usada pela organização, tendo o Ministério Público requerido o perdimento a favor do Estado de tal montante".

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Dos nove arguidos, quatro são residentes em Espanha, um tem nacionalidade albanesa, dois são oriundos de Marrocos e outros dois de Itália.

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