Assassinos de Ireneu condenados

A acção “foi típica de uma guerra”, lembrou o juiz Fernando Vaz Ventura. Entre tiros de caçadeira e rajadas de metralhadora, os 25 disparos “foram à cabeça. Para matar”.

03 de maio de 2006 às 00:00
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O colectivo de juízes não teve dúvidas da autoria e intenção dos crimes: Luís Carlos Santos, de 41 anos, e Euclides Tavares, de 21, vão cumprir, respectivamente, 23 e 19 anos de prisão. Foram ontem condenados pelos homicídios, qualificado e tentado, dos agentes da PSP Ireneu Diniz e Nuno Saramago, em patrulha na Cova da Moura, Amadora, a de 17 de Fevereiro de 2005.

Declarações de testemunhas, feitas à PJ em fase de inquérito, colocavam os dois acusados “no local do crime”; foram registadas “71 chamadas telefónicas” entre ambos depois do crime – e foi encontrado um blusão de Euclides, conhecido por ‘Bechona’, com “vários vestígios de pólvora”.

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CRIMES PROVADOS

Os juízes da 7.ª Vara do Tribunal da Boa-Hora, em Lisboa, deram como provado que Luís Santos empunhava a pistola-metralhadora Uzi, Euclides a caçadeira – e foi este último “a atingir o agente Ireneu com um tiro fatal”. Nuno Saramago sobreviveu “por cinco centímetros” e valeu-lhe o encosto de cabeça do jipe da PSP, “crivado de bagos de zagalote”.

O juiz Fernando Ventura descreveu todos os passos dos dois homicidas, numa altura em que a irmã do agente Ireneu, Fátima, e a namorada, Paula, não conseguiram conter as lágrimas. Euclides e Luís Santos ouviram – e recolheram à cadeia sem esboçar qualquer reacção.

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Emocionado, o agente Saramago disse no final que “foi feita justiça”, ao contrário dos advogados de defesa, que consideram não ter sido feita “prova em tribunal” – e vão “recorrer da decisão”. A mãe do agente Ireneu, Ana Gil, vai ser indemnizada pelos condenados em 50 mil euros e o agente Saramago em 3740.

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