Associação Sindical pede à população para continuar a confiar na PSP
Na terça-feira, 15 polícias, dois chefes e 13 agentes, foram detidos no âmbito de um inquérito em que se investiga a eventual prática de diversos crimes.
O presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) reconheceu esta quarta-feira que o caso da esquadra do Rato mancha a imagem da instituição e pediu à população para continuar a confiar na força de segurança.
"Eu apelo às pessoas para que continuem a confiar na Polícia de Segurança Pública, porque é servida por excelentes profissionais e que, em circunstâncias muito difíceis, têm feito tudo pela sua comunidade", afirmou à agência Lusa Paulo Santos, que esta quarta-feira esteve em Leiria numa ação sindical no Comando Distrital da PSP.
Na terça-feira, 15 polícias, dois chefes e 13 agentes, foram detidos no âmbito de um inquérito em que se investiga a eventual prática de diversos crimes, designadamente, tortura grave, violação, abuso de poder, ofensas à integridade física qualificadas, relativo a factos ocorridos nas esquadras do Rato e do Bairro Alto, em Lisboa.
Com estas detenções, aumentou para 24 o número de elementos da PSP envolvidos em alegadas torturas e violações a pessoas vulneráveis como toxicodependentes, estrangeiros e sem-abrigo.
Admitindo ter, enquanto estrutura representativa de profissionais de polícia "algum desconforto em falar destas matérias", por não se rever "em nada neste tipo de condutas", o dirigente da ASPP/PSP defendeu a necessidade de respeitar a presunção de inocência dos elementos da PSP, e "respeitar o trabalho e o tempo dos tribunais".
"Agora, se se vier a confirmar que estes comportamentos foram reais - e ao que parece há fortes indícios de que isso tenha acontecido - aquilo que nós dizemos são três notas, a primeira é que isto não tem nada a ver com a polícia, com o ADN da polícia e com aquilo que é a grande maioria dos profissionais, que prestam serviço de excelência à comunidade", declarou, frisando que "nada justifica este tipo de condutas".
O presidente da associação sindical considerou positivo ter sido a própria PSP a desencadear "a denúncia e a investigação", continuando a colaborar com o Ministério Público, para acrescentar que "este tipo de condutas apenas vem beliscar, manchar e envergonhar a Polícia de Segurança Pública e os próprios colegas que, diariamente, dão tudo para servir a comunidade".
Questionado se teme que a confiança da população na PSP seja abalada devido a casos como este, Paulo Santos reiterou que a situação é "um manchar daquilo que é a imagem da polícia", acreditando que, "no futuro, se possa arrumar com estas más condutas".
"Parece-me que a forma como se vai gerir, internamente, esta situação pode restabelecer, novamente, a confiança que os portugueses têm de ter na PSP", adiantou, reafirmando que "a PSP não tem nada a ver com este tipo de condutas".
A detenção, na terça-feira, de 15 polícias e um civil foi a terceira operação policial desde julho de 2025 relacionada com alegações de tortura e violação por polícias de pessoas detidas na esquadra do Rato, na maioria toxicodependentes, estrangeiros e sem-abrigo.
Na primeira, foram detidos dois agentes da PSP, então com 22 e 26 anos, e que vão ser julgados por crimes de tortura, violação e abuso de poder, entre outros, determinou em 27 de abril de 2026 o Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa.
Outros sete polícias foram detidos em março de 2026 e estão a aguardar em prisão preventiva o desfecho da investigação.
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