ATAQUE A CARROS DA PSP

Andam a querer amedrontar os elementos afectos à Esquadra de Investigação Criminal (EIC) da PSP da Amadora.

15 de agosto de 2004 às 00:00
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Ontem de madrugada, um grupo de vândalos atacou quatro viaturas descaracterizadas da Polícia tornando-as temporariamente inoperacionais , o carro particular de um agente, dois de civis (que pela semelhança de marca e modelo confundiram com viaturas de outros agentes) e ainda assaltaram um carro apreendido. As oito viaturas estavam estacionadas à porta da EIC, no bairro da Cova da Boba, Casal de S. Brás.

Fontes ouvidas pelo CM consideram o caso uma afronta à PSP. “Querem provar que não têm medo e não se importam de atacar à porta de uma esquadra”, referiram.

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Os elementos da EIC – agentes da PSP que trabalham à civil e investigam no terreno casos de criminalidade grave: roubos e tráfico de droga – acreditam que se trata de um acto de vandalismo “cirúrgico” que os visou pessoalmente.

“Quem quer que o tenha feito quis demonstrar que sabe perfeitamente quem somos e, até, que carros particulares temos”, confessam.

Das oito viaturas atacadas, sete – as das brigadas à civil, do agente e dos dois civis (uma Volkswagen Passat e um Fiat Uno) – ficaram com os pneus irreparáveis, já que sofreram golpes nas lonas.

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No caso da Passat, a condutora viu mesmo o dia ficar completamente estragado, já que só reparou nos danos quando saiu de manhã para ir trabalhar.

Tanto esta como o proprietário do Fiat Uno foram, poder-se-á chamar, vítimas inocentes. As suas viaturas apenas acabaram atacadas porque há agentes da EIC que têm carros iguais, pelo que os delinquentes terão feito confusão.

Já a viatura que estava apreendida no âmbito de um inquérito e à guarda da PSP, um Fiat Punto amarelo, ficou com um vidro partido, através do qual os delinquentes levaram um auto-rádio e a manete das mudanças.

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Na altura do ataque apenas estava o graduado de serviço na esquadra que, devido à deficiente construção desta (ver caixa), não viu nada. “Por falta de pessoal, nem sequer havia o habitual sentinela à porta da esquadra”, queixou-se um elemento da Polícia.

A PSP está já a investigar quem poderão ter sido os responsáveis pelos danos. Para já as suspeitas recaem sobre jovens residentes nas imediações da esquadra, no Casal da Boba, local onde foram realojadas várias famílias vindas de bairros degradados do concelho da Amadora, entre eles o 6 de Maio.

ESQUADRA MAL PROJECTADA

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Várias fontes ouvidas pelo CM apontam o mau projecto da esquadra do Casal de S. Brás – que tem poucos anos – como um dos responsáveis por ninguém ter sido detectado a realizar os actos de vandalismo. “A porta da esquadra, em vez de dar para o estacionamento e para a rua principal (Rua Dezassete de Setembro), está virada para um prédio. A situação é tão caricata que já houve pessoas que, quando chegam, não vêm qualquer porta e vão--se embora porque pensam que a esquadra está fechada”, lamenta um elemento policial. No interior não há qualquer janela que dê directamente para o estacionamento. Mas este não é o único problema do edifício. A EIC da Amadora faz, quase diariamente, pelo menos uma detenção. Só que não tem calabouços para colocar os detidos, que ficam a aguardar as deligências sentados num banco no corredor.

APENAS DUAS VIATURAS

Com esta razia às viaturas descaracterizadas da EIC da Amadora, os elementos afectos à investigação criminal ficaram temporariamente (até os quatro carros danificados serem arranjados e voltarem ao serviço, o que deve acontecer a meio desta semana) com apenas dois carros ‘à paisana’ para realizar o seu trabalho. A situação toma contornos dramáticos já que a EIC da Divisão da Amadora da PSP abrange uma área que corresponde à totalidade do concelho da Amadora e ainda boa parte do de Sintra (Queluz, Massamá, Monte Abraão e Agualva-Cacém), num total de cerca de 800 mil residentes. Tratam-se de zonas suburbanas onde se regista uma grossa fatia da criminalidade violenta registada na Grande Lisboa. Para tal contribuem os bairros degradados alvo de constante vigilância da EIC existentes na Amadora, tidos como ‘nichos’ da mais variada criminalidade.

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DANOS

Os danos nas viaturas danificadas foram de vários milhares de euros. Os carros descaracterizados da PSP já estão na oficina. Quanto às viaturas particulares, quer de agentes quer de civis, terão de ser os donos a suportar os custos das reparações.

ANTERIORES

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Já se haviam verificado casos semelhantes à porta da esquadra do Casal de S. Brás. Ao antigo comandante da EIC partiram-lhe o vidro do carro, a um agente o pára-brisas e a dois outros polícias furaram-lhes os pneus das viaturas privadas.

PIORAR

Os elementos policiais temem que a situação de insegurança no bairro venha a piorar. É que, para breve, estão previstos novos realojamentos no Casal da Boba de pessoas vindas, entre outros locais, da problemática Azinhaga dos Bezouros.

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MEDO

Em 12 de Janeiro o CM deu voz aos moradores da zona circundante à referida esquadra. A proprietária de uma loja contou que ao ser assaltada por quatro indivíduos “cortaram-me a mão esquerda com uma catana” e Luís Henriques referiu que “forçaram a fechadura da porta para arrombarem a minha casa”.

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