Atrelado com químicos que estava na posse de amigo empreiteiro de Luís Neves continua exposto a céu aberto

Galera encontra-se apreendida no armazém da PJ, em Tires. Produtos ainda não foram destruídos. Diretor do Património manteve contactos com a Marinha e com o empresário de Barcelos.

28 de julho de 2026 às 15:45
Atrelado com químicos que estava na posse de amigo empreiteiro de Luís Neves continua exposto a céu aberto Foto: Direitos Reservados
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O atrelado que estava na posse de João Santos Carvalho, empreiteiro de Barcelos, amigo do ministro da Administração Interna, Luís Neves, encontra-se, atualmente, apreendido num dos armazéns da Polícia Judiciária (PJ), em Tires, como o NOW confirmou no local, após ter recebido duas fotografias. No interior da galera, continuam os 62 bidões com produtos químicos -  acetato de etila e hexano, dois solventes utilizados no processo de produção de droga -  expostos às atuais condições climatéricas,  o motivo que terá levado a Marinha, em Agosto de 2025, a exigir a sua retirada das suas instalações, no Seixal. 

De acordo com documentos e testemunhos de inspetores da Judiciária, o NOW conseguiu reconstituir todo o procedimento interno que levou a que, em setembro de 2025, o atrelado fosse conduzido para as instalações da "Construbarcelos", a empresa de João Santos Carvalho.Depois de, em dezembro de 2024, a PJ ter realizado a 'Operação Pacoba', que resultou no desmantelamento de um laboratório de droga, na zona Oeste, e de ter inventariado o material encontrado, o procurador do processo ordenou a respetiva destruição dos "materiais químicos e resíduos apreendidos".

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Este são, habitualmente, destruídos porque, de acordo com o Código do Processo Penal, são "coisas sem valor, perecíveis, perigosas". Ou seja, a custódia da prova é um problema que não se coloca no processo. Por falta de espaço no armazém para os bens apreendidos, em Tires, a galera acabaria por ser movimentada para o Seixal, em instalações da Autoridade Marítima. Meses depois, a Marinha, como o Correio da Manhã noticiou, em contacto com a PJ, pediu a retirada do atrelado, tendo em conta os químicos e as condições climatéricas.

Os responsáveis da Armada terão alegado com riscos de incêndio ou explosão. Algo que, esta semana, duas fontes da Judiciária descartaram, dizendo que os químicos em causa estavam (e estão) bem acondicionados e que os produtos, quanto muito, podem provocar uma pequena contaminação, à semelhança, referiram as fontes, do que aconteceu com um derrame de resina no IP3, em Penacova.

Ao mesmo tempo que estava em contactos com a Marinha, o diretor de  Serviços de Gestão Financeira e Patrimonial da Judiciária, Álvaro Pires, encontrava-se a acompanhar uma obra que estava a ser realizada por João Santos Carvalho que, perante o que ouviu, se terá prontificado para encontrar uma solução provisória, a qual passaria por colocar, durante um pequeno período, o atrelado nas "Construbarcelos" até a polícia encontrar um local para o estacionar e uma empresa certificada para destruir os químicos.

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A solução encontrada seria aprovada por Luís Neves, então diretor nacional da PJ.A 5 de setembro de 2025, a galera rumou do Seixal para Barcelos, devidamente acompanhada por elementos da unidade de bens apreendidos -  e a "PJ nem o gasóleo pagou", referiu uma fonte - ao mesmo tempo que,em Tires, procedeu-se a uma operação de limpeza dos armazéns para receber o atrelados e os bidões. Nesta limpeza geral, a PJ, por exemplo, entregou à ASAE milhares de litros de azeite contrafeito. Porém, a Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes (UNCTE) realizou um nova operação, também com  a apreensão de uma grande quantidade de produtos químicos, os quais acabaria por ocupar o espaço destinado aos que, à época, se encontravam na "Construbarcelos".

Os serviços da PJ ainda, de acordo com os dados recolhidos, terão pedido orçamentos para a destruição dos químicos apreendidos na Operação Pacoba a empresas como a Veoli, Ecodeal e Egeo. A autorização para a despesa não seria concretizada e os bidões e o atrelado ficaram em Barcelos.

Já este mês, a Judiciária recolheria o atrelado, em Barcelos, abrindo um inquérito para apurar eventuais responsabilidades criminais com a deslocação da galera do Seixal para Barcelos. Entretanto, o Ministério Público assumiu a investigação, que corre no Departamento de Investigação e Ação Penal Regional de Lisboa.

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