Autarca confirmou buscas da PJ na Câmara da Trofa
"Estiveram aqui pouco tempo, mas levaram aquilo que entenderam", afirmou César Araújo
O presidente da Câmara da Trofa, César Araújo, confirmou que a Polícia Judiciária esteve esta segunda-feira durante a manhã na sede da autarquia para consultar processos alegadamente relacionados com a operação "Lúmen".
Segundo o autarca, "a presença da Polícia Judiciária hoje de manhã decorreu no âmbito de umas buscas que estavam a fazer em várias câmaras do país e, obviamente, aquilo que fizemos foi pôr-nos ao dispor para colaborar com a Justiça, com os seus inspetores, dando-lhes toda a informação que eles solicitaram".
"Estiveram aqui pouco tempo, mas levaram aquilo que entenderam que deviam levar em termos de documentação", afirmou, em declarações à Lusa.
"O que quero dizer é que iremos colaborar com a justiça e que estamos tranquilos", disse o autarca, escusando-se a falar sobre "casos concretos", por se encontrarem em segredo de justiça.
Acrescentou ter sido pedido "um documento relativo a um procedimento concursal e foi isso que lhes foi facultado".
A empresa Castros Iluminações Festivas, em Vila Nova de Gaia, foi alvo de buscas no âmbito da operação "Lúmen" da Polícia Judiciária, que deteve quatro pessoas, incluindo um funcionário público da Câmara de Lisboa, indicou fonte judicial.
Segundo a mesma fonte, decorreram buscas em 10 municípios: Lisboa, Tavira, Lamego, Maia, Figueira da Foz, Viseu, Trofa, Póvoa de Varzim, Ovar e Santa Maria da Feira.
Os detidos são suspeitos dos crimes de corrupção ativa e passiva, participação económica em negócio, abuso de poder e associação criminosa, relacionados com o fornecimento e a instalação de iluminações festivas.
Em comunicado, a PJ referiu que foi realizada, através da Diretoria do Norte, uma operação policial no âmbito da criminalidade económico-financeira, tendo sido detidos "um administrador e um funcionário de uma empresa privada, uma presidente de associação privada e um funcionário público".
Contactada pela Lusa, a empresa de iluminações escusou-se a prestar declarações.
Na operação "Lúmen", foram efetuadas 26 buscas domiciliárias e não domiciliárias, em várias zonas do país, em entidades e empresas públicas e privadas.
De acordo com a PJ, a investigação teve origem numa denúncia ligada com a "pretensa viciação de procedimentos de contratação pública relacionados com o fornecimento e instalação de iluminações festivas, utilizadas nas épocas de Natal e na celebração de diversas festividades".
As diligências realizadas pela autoridade revelaram a existência de "um esquema criminoso, de caráter organizado e sistémico, tendente à viciação de procedimentos de contratação pública".
Na operação participaram um magistrado judicial, um magistrado do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) Regional do Porto, 120 investigadores criminais e ainda peritos informáticos, peritos financeiros e seguranças de diversas unidades da PJ.
Os detidos vão ser presentes ao Tribunal de Instrução Criminal do Porto, para primeiro interrogatório judicial e aplicação das medidas de coação.
O inquérito é titulado pelo DIAP Regional do Porto.
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