Autarquia de Sátão exige pagamento de taxa após acusação de assédio

Família acredita que cobrança só aconteceu porque amigo do presidente foi acusado de importunação sexual e perseguição.

19 de maio de 2025 às 16:29
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A câmara de Sátão avançou para a cobrança de dois lugares de estacionamento a uma escola de condução, que estavam por pagar há dez anos. A decisão surgiu pouco depois de o Ministério Público ter acusado um técnico superior dos crimes de importunação sexual e perseguição sobre uma ex-funcionária, conduta que foi alegadamente minimizada pelo presidente da autarquia, Alexandre Vaz. A vítima é filha dos donos da escola de condução que acreditam que o autarca está a agir por vingança.

Foi em finais de março que os funcionários da autarquia chegaram com picaretas e um berbequim elétrico e cortaram o sinal de trânsito que assinalava os dois lugares de estacionamento. “Acredito que estamos perante os crimes de dano e furto, uma vez que o sinal é propriedade da escola de condução e não da autarquia. Há também crimes de peculato, abuso de poder e favorecimento, uma vez que a câmara lesou o erário público quando não cobrou o valor dos parques durante dez anos e dessa forma prejudicou os munícipes”, resumiu Aurélio Quelho.

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O advogado da família estranha o ‘timing’ da carta para a regularização do pagamento. “Desde sempre achámos que o presidente tentou desvalorizar uma situação grave que é o assédio no local de trabalho. Recorde-se que terá dito à ex-funcionária para vestir um fato de treino e ir correr, ao invés de frequentar consultas com um psicólogo. Só isso mostra a postura perante o caso que já tem uma acusação formal. O técnico superior, que era seu superior hierárquico, enviou-lhe centenas de mensagens de cariz sexual, entre março de 2021 e até, pelo menos, novembro de 2022. Que fazia alusão às suas fantasias eróticas, assim como às roupas que a jovem vestia ou que gostava que vestisse, segundo o Ministério Público”, complementou.

Autarca nega vingança

Alexandre Vaz, presidente da câmara de Sátão, recusa estar a agir por retaliação e garante ter enviado três cartas para cobrança de lugares de estacionamento e que este é o único que está por liquidar… mas sem querer revelar o valor.

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O advogado que representa a escola de condução acredita que não está qualquer valor em falta e que por isso promete seguir com o caso até às últimas instâncias. Mesmo que existissem essas taxas, já estariam prescritas.

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