Automóveis de Salazar atraem milhares à FIL
Os automóveis utilizados por Oliveira Salazar durante a Presidência do Conselho de Ministros estiveram em exposição nos últimos três dias no Motorclássico – Salão Internacional de Automóveis e Motociclos Clássicos, na FIL, em Lisboa.
O Cadillac 75, de 1947, que Salazar usou desde esse ano até à sua morte, em 1970, e o Chrysler Imperial blindado, de 1937, comprado pela PIDE depois do atentado ao Chefe de Estado foram as duas grandes atracções do certame.
Guardado na garagem da Prisão de Caxias, este Chrysler foi usado na célebre fuga dessa prisão por membros do PCP e ainda hoje guarda alguns buracos das balas disparadas pelos guardas contra os fugitivos.
Os dois carros fazem parte da colecção do Museu do Caramulo, que organiza pela quarta vez a exposição e feira de carros clássicos. Segundo Salvador Gouveia, gestor do museu e responsável pela organização, o mercado dos automóveis clássicos ainda é um nicho, mas tem vindo a democratizar-se. Os automóveis clássicos, diz, deixaram de ser artigos de luxo para ricos.
“Por mil euros qualquer pessoa pode comprar um clássico que lhe vai dar menos problemas do que um automóvel moderno”, garante.
Ele próprio coleccionador de clássicos assegura que esta é uma excelente opção de investimento, uma vez que os automóveis vão valorizando com a idade e existem clubes de carros clássicos sempre disponíveis para ajudar no que for preciso.
Quem visita o certame, para além de se passear por entre clássicos da Ferrari, Mercedes, Jaguar ou Aston Martin, confessa o prazer que dá ver, ao vivo, carros dos quais só tinham ouvido falar ou visto em filmes antigos.
Vasco Mendes, que afirma ter “gasolina nas veias”, admira com atenção todos os pormenores de restauro de um Aston Martin DB3 avaliado em três milhões de euros. “É uma exposição extraordinária que tem vindo a melhorar de ano para ano”, adianta.
Nesta edição, que terminou ontem, estiveram presentes cerca de duas centenas de viaturas clássicas e segundo as expectativas da organização, esperava-se que fosse quebrada a fasquia dos 36 000 visitantes do ano passado.
- O primeiro carro de exteriores ao serviço da RTP foi um dos destaques do salão automóvel. Trata-se de um Mercedes Benz, de 50 anos, único em toda a Europa. Testemunha dos acontecimentos mais marcantes da História de Portugal nas últimas cinco décadas, a viatura foi concebida e transformada para possibilitar a cobertura televisiva no exterior.
- A Pep’s Gang é uma empresa especializada no restauro e venda de automóveis clássicos e exóticos. O presidente, Manuel Lima, considera que “cada vez mais as pessoas têm carro de empresa. E ao fim-de-semana dá gosto passear dentro de um clássico”. Os carros americanos, como os Mustang, estão entre os mais vendidos.
- Pela primeira vez em exposição, a ‘Gruta de Ali Babá’ é uma colecção privada de 280 carros. Lourenço Almeida é o herdeiro desta frota, iniciada pelo pai nos anos 70 com um Fiat 600. Hoje integra desde referências históricas até ao mais luxuosos BMW e Mercedes.
- O autocarro que a Carris usava na década de 60, de dois pisos, fez as delícias dos mais jovens que podiam entrar e mexer em quase tudo. Desde a campainha ao volante no lugar do condutor, este autocarro permitiu uma aproximação divertida das crianças ao mundo dos carros antigos.
Na edição de ontem do CM lê-se na página 16 “atentado ao Chefe de Estado”, numa referência a Salazar. Dado que este nunca foi chefe de Estado (à parte um curto período de interinato) mas sim Presidente do Conselho de Ministros, a designação correcta era a de Chefe de Governo. Quanto ao Cadillac 75, este foi utilizado por Oliveira Salazar apenas até 1968 e não até 1970. l
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