Boicote em Sintra de 42 bombeiros
Demissões e licenças contra o novo comandante.
"Os voluntários vão pedir a demissão e os profissionais meteram licenças", diz ao CM um operacional. Ao todo, a indigitação de um novo comandante nos Bombeiros de S. Pedro de Sintra levou a que 42 elementos pedissem inatividade e dispensa de escala em forma de protesto. O quartel tem cerca de 20 bombeiros no quadro ativo desde o dia 8, o que dificulta o socorro à população.
"Este comandante não reúne a nossa confiança", justifica um bombeiro, que pede para não ser identificado por temer represálias. O CM teve acesso ao abaixo-assinado entregue à direção do corpo de bombeiros, no qual mais de 60 afirmam que o novo comandante, Rogério Pereira, "não reúne as condições" para o cargo e pedem que a indigitação seja anulada.
O novo comandante, formador na Escola Nacional de Bombeiros, foi adjunto na corporação.
Dos cerca de 60 bombeiros, 42 pediram inatividade e a licença de escala. Domingo à noite, quando a tempestade ‘Ana’ atingiu Portugal, só "estiveram no quartel três bombeiros e vai continuar assim", diz um elemento, contando que os serviços foram assegurados noutras corporações.
Joaquim Duarte, presidente da direção do bombeiros, diz que estão a ser analisados os requerimentos dos bombeiros que pediram licenças e que foram aceites pelo comando anterior.
"Estamos a tomar medidas para, dentro do possível, admitir alguns bombeiros para não faltar socorro às populações, mas também já temos acordo com Alcabideche [Cascais], Sintra e Algueirão para o socorro necessário dentro da nossa área de jurisdição", explicou à Lusa Joaquim Duarte.
O presidente da direção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de São Pedro de Sintra adiantou que "tomou hoje posse" [esta quarta-feira] como novo comandante da corporação Rogério Pereira, que tinha sido escolhido para substituir Pedro Ernesto Nunes, que pediu a demissão por motivos pessoais.
O presidente da direção salientou que, após outros dois candidatos ao lugar lhe terem faltado ao respeito, foi entendido que seria melhor para a associação, por precisar de "estabilidade e disciplina", a nomeação de Rogério Pereira.
Além da eventual contratação de bombeiros, a direção irá "ver juridicamente, junto da Autoridade Nacional de Proteção Civil, a legitimidade dos pedidos [de dispensa], porque os motivos invocados pelos funcionários são todos iguais, de ordem pessoal".
"Não irei permitir que, em determinadas coisas, como o socorro à população, haja outros interesses por trás, que possa levar uma instituição com mais de 100 anos a que não possa socorrer as pessoas", frisou Joaquim Duarte.
O dirigente da associação disse estranhar que o comandante em regime de substituição tenha despachado todos os pedidos "num dia, sem um motivo especial" e assegurou que o período noturno será assegurado com alguns voluntários e funcionários que não aderiram ao protesto.
Jaime Marta Soares, líder da Liga, apela a que "antes de serem aceites os despachos se analise a situação", visto que a saída de 42 bombeiros cria grandes dificuldades. "Que impere o bom senso", diz.
O CM tentou por diversas vezes contactar Rogério Pereira, mas sem sucesso.
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