Bombeiros criticam Governo apressado
A Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) considera “apressada” a decisão do Governo de, no âmbito do Plano Operacional de Prevenção e Combate a Fogos Florestais, aprovado no passado dia 6, recrutar “84 elementos para integrarem seis BrigadBombeirosas Helitransportadas, com um contrato a três anos e a missão de combater os fogos florestais, durante os meses de Verão”.
Isso mesmo disse ontem ao CM o presidente da Liga, Duarte Caldeira, para quem a remuneração mensal de 884,62 euros aos referidos elementos irá gerar alguns conflitos.
“Há pessoal profissional, em funções todo o ano, a quem os corpos de bombeiros, por falta de financiamento adequado, não conseguem pagar o equivalente ao que aqui é proposto. Não faz sentido contratar por três anos para operar apenas de Junho a Setembro, não se definindo claramente o que é que esses elementos irão fazer nos outros meses”, observou o mesmo responsável.
Duarte Caldeira sublinhou ainda que “não se sabe de quem é que esses 84 elementos irão depender, jurídica e funcionalmente, ou seja, quem é que lhes vai pagar e com quem irão celebrar o respectivo contrato de trabalho”.
O presidente da Liga afirmou ainda duvidar da “sustentabilidade desta solução”, bem como do “futuro” dos profissionais que a ela adiram, uma vez que se trata de “uma estrutura criada por um Governo de gestão, em véspera de eleições, havendo o risco, como sempre tem acontecido, de o próximo Governo poder vir a adoptar outras opções”.
Duarte Caldeira mostrou-se também preocupado com a possibilidade de virem a ser “delapidados” meios humanos da própria estrutura, uma vez que “o universo de recrutamento dos citados elementos é o dos formadores da Escola Nacional de Bombeiros, recuperadores salvadores das corporações e ainda operadores dos CDOS – Centros Distritais de Operações de Socorro.
Estes últimos já se encontram, aliás, numa situação deveras bizarra: embora ao serviço do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil, como a lei orgânica deste impede a sua contratação pelo próprio SNBPC, são contratados pelas associações. Se forem para as brigadas helitransportadas, a complicação pode tornar-se ainda maior.
DESRESPEITO
A LBP considera um “desrespeito” o facto de só ter tido conhecimento da aprovação pelo Governo do Plano Operacional de Prevenção e Combate aos Fogos Florestais através de um comunicado distribuído à Comunicação Social.
ALERTA
A Liga entendeu por bem alertar as direcções das federações e das associações, bem como os Corpos de Bombeiros, para a questão do referido recrutamento, solicitando que “esclareçam os potenciais interessados”.
CURIOSIDADE
A LBP aguarda com “muita curiosidade” a divulgação dos objectivos programáticos dos partidos candidatos às próximas eleições no que toca aos Bombeiros e Protecção Civil, sector onde tem faltado “uma estratégia coerente.
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