Bombeiros em protesto geram atraso no socorro
Corporação sem comandante e com 27 elementos afastados em divergência com a direção.
O socorro chega, mas muito mais tarde do que seria normal. Entretanto, podem perder-se vidas." Gaspar Caldas, ex-comandante dos Bombeiros Voluntários de Melgaço, não tem dúvidas de que a população melgacense está em perigo após a corporação ter perdido grande parte dos ativos. Além do agora ex-comandante, outros 27 elementos entregaram à direção um pedido de inatividade no início do ano.
"Foi um ato de revolta. Fomos enganados, ignorados e desrespeitados pela direção", afirmou Gaspar Caldas. "Juraram dar ‘vida por vida’ e, agora, não podem socorrer as pessoas, que são o que mais nos preocupa."
"Os bombeiros são nossos, queremos lutar por eles", referiu Ana Pires, mentora de uma manifestação que está a ser organizada para dia 20, no centro da cidade do Alto Minho. "Não vamos desistir, vamos reunir centenas de pessoas e fazer-nos ouvir", garantiu a comerciante, de 31 anos.
Na origem do clima de guerra entre direção e bombeiros está o desagrado dos voluntários com a postura dos elementos da direção. Apontam o dedo à tesoureira. "Foi-nos garantido que não ficaria no cargo. Mas, na recente tomada de posse dos órgãos diretivos da associação, estava lá. Foi uma afronta", explicou o ex-comandante, que garante não estar disposto a regressar, mantendo a esperança de que os restantes elementos reassumam as funções. "Acontecerá se a direção se demitir", concluiu.
Em comunicado, a direção da associação humanitária desmente as divergências e garante que "não está em causa a prestação de socorro, estando a situação a ser resolvida".
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