Burlona em pânico
A professora acusada de ter burlado em 2,1 milhões de euros, em parceria com o ex-marido, que se fez passar por médico da ONU, um grupo empresarial, negou ontem, no Tribunal de Leiria, o seu envolvimento nos crimes, afirmando ter ficado "em pânico" ao saber que o negócio estava em risco.
Os arguidos, Joaquim Lopes Francisco, 43 anos, e Sandra Paula Ferreira, 36 anos, estão a ser julgados por dois crimes de falsificação de documentos e burla qualificada, de que foi vítima, em 2008, o grupo empresarial Beatriz Godinho, com negócios na área da Saúde.
O negócio proposto pelos arguidos, que nunca se concretizou, passava pela aquisição de uma farmácia e pela construção de um laboratório e de um hospital na República Dominicana, tendo para isso recebido do grupo empresarial 2,1 milhões de euros.
Na primeira sessão do julgamento, que se prolongou por todo o dia de ontem, o arguido, que está em prisão preventiva, recusou prestar declarações ao tribunal, mas a ex-mulher, professora de Físico-química numa escola de Leiria, prestou um longo depoimento.
A arguida negou ter apresentado o ex-marido a Amado Elias Tomás, proprietário do grupo Beatriz Godinho, adiantando ter sido convidada pelos empresários a integrar o projecto.
"Disseram-me que poderia fazer uma formação e depois ficaria à frente do laboratório na República Dominicana", contou Sandra Ferreira, adiantando que pediu uma licença sem vencimento por um ano na escola onde dava aulas e ficou "em pânico" quando o ex-marido – em quem "confiava" – lhe disse que o negócio estava em risco. A arguida contou ainda que o ex-marido usou a sua conta bancária e dos filhos para fazer "movimentos de dinheiro", mas "não conhecia os montantes nem a origem".
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