BURRO DE MIRANDA VAI CHEGAR A TODO O PAÍS
Há cada vez menos burros em Portugal. No entanto, a tendência deverá inverter-se a partir do próximo ano, segundo o projecto da Associação de Estudo e Protecção dos Burros (AEPB), que terminou já a elaboração do Livro Genealógico da raça adinina de Miranda e assegurou para 2005 o início da atribuição de subsídio aos criadores da raça autóctone.
"É um longo trabalho que está a ser feito e um processo lento, mas que a partir do próximo ano irá seguramente ganhar mais visibilidade", afirmou ontem ao CM Miguel Nóvoa, da AEPB, dando conta que o burro de Miranda - que conta com 800 exemplares nos concelhos de Bragança, Vimioso, Mogadouro e Miranda do Douro -- deverá estender-se a todo o país a partir de 2005.
Em seu entender, "quando alguém quiser comprar um burro, vai seguramente optar por adquirir um animal de raça, em vez de outro qualquer animal", referindo- -se aos adininos traçados e de outras raças existentes noutras regiões do país.
Apesar da abundância de burros na zona de Miranda do Douro - de cor castanha e sem manchas, nem listas -, Miguel Nóvoa reconhece que a criação de burros foi abandonada em praticamente todo o País, alegando motivações culturais para a desvalorização do animal, sobretudo devido ao nome.
No entanto, os agricultores entendem que há, sobretudo, motivações económicas. "Sabe que o burro só existia para trabalhar, mas agora os campos ou são abandonados ou trabalhados com grandes tractores, sem sujar muito as mãos; por isso, os burros já não interessam", explicou António Figueiredo, um agricultor do concelho de Amares que, com a experiência dos seus 78 anos de idade, não augura grande futuro para o animal em vias de extinção.
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