Cadeia sem luz por avaria
As cenas de ratos a passear nas celas e nos balneários da cadeia não são exclusivo dos filmes policiais americanos. No Estabelecimento Prisional do Montijo (EPM), os roedores "passeiam--se também pela cozinha", deixando um perigoso rasto para a saúde dos reclusos e dos guardas prisionais, denuncia um elemento da prisão.
Mas as anomalias relacionadas com a alegada falta de higiene e condições de segurança não se ficam por aqui. Falta electricidade em diversos sectores do estabelecimento e, para fazerem face ao problema, os guardas vêem-se obrigados a recorrer a uma lanterna.
'Se um preso chega à noite, tem de ser recebido e revistado à luz da lanterna', queixa-se a mesma fonte, sublinhando os riscos associados a este tipo de actuação. O recurso à iluminação portátil é indispensável também na zona 'da portaria, do gabinete do guarda de serviço e da casa de banho dos guardas', devido à avaria.
A semana passada, a direcção do EPM decidiu mandar encerrar a cantina onde os guardas e funcionários tomavam as refeições, 'sem avisar e sem dar explicações'.
Segundo elementos do corpo da guarda prisional, esta medida é encarada como 'uma represália' pelas discordâncias verificadas durante a última greve dos guardas prisionais. É que as receitas obtidas na cantina eram utilizadas para apoiar a participação dos guardas num torneio ibérico de Futsal.
Informada dos problemas funcionais e estruturais da cadeia, a direcção do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP) pediu para visitar o estabelecimento e reunir com os seus associados. A resposta foi negativa.
'Fomos impedidos de visitar a cadeia e só nos deixaram reunir na sala de espera das visitas, um local sem o mínimo de condições', acusa Jorge Alves, presidente do SNCGP. A Direcção-Geral dos Serviços Prisionais, contactada ontem pelo CM, não reagiu a estas acusações até à hora do fecho da nossa edição.
PORMENORES
INSTALAÇÕES
O Estabelecimento Prisional do Montijo foi criado em 1971 e está instalado no edifício onde em tempos funcionou a cadeia comarcã.
PREVENTIVOS
A população prisional do EPM é constituída por reclusos em prisão preventiva. Segundo dados da DGSP, estão sobretudo à ordem dos tribunais das comarcas de Barreiro, Benavente, Coruche, Moita, Montijo e Seixal.
ACTIVIDADES
O estabelecimento tem quatro pátios exteriores destinados a recreios, prática de actividades desportivas e de formação, dado que um tem área coberta.
TRABALHO
A biblioteca do EPM tem mais de 2500 obras à disposição dos reclusos. No campo laboral, existem presos que se dedicam ao fabrico de tapetes de arraiolos, produção de peças em mármore, jardinagem e acabamentos finais de borrachas.
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