Câmara de Aveiro deixa família bloqueada ao fechar acesso à antiga Lota

Família deparou-se com um monte de terra na estrada e teve de usar uma pá para conseguir passar com as suas viaturas.

03 de fevereiro de 2026 às 16:29
Aveiro Foto: Manuel Azevedo
Partilhar

Pelo menos três pessoas ficaram temporariamente bloqueadas na zona da antiga Lota de Aveiro, na segunda-feira, depois de a autarquia ter mandado vedar o acesso àquela zona devido à probabilidade de ocorrência de cheias.

A Câmara de Aveiro mandou encerrar a estrada de acesso à zona da antiga lota desde as 14:00 de segunda-feira até às 08:00 de hoje, atendendo à precipitação persistente e à subida da maré.

Pub

A decisão apanhou de surpresa Agostinho Neno, o filho e a nora que estavam a trabalhar nas marinhas às quais apenas se pode aceder por um caminho de terra ligado por uma ponte à zona que foi vedada.

Quando tentaram regressar a casa ao final da tarde, os três depararam-se com o acesso barrado por um monte de terra e tiveram de retirar parte da terra com uma pá para passar com as suas viaturas.

"Acho que eles vieram ver se havia carros ali. Dizem que não viram carros e taparam, mas os meus carros estavam aqui na zona privada, onde tenho o cais do meu barco", disse à Lusa Agostinho Neno, queixando-se da falta de aviso prévio por parte da autarquia.

Pub

Numa nota enviada hoje à Lusa, o gabinete de imprensa da Câmara esclareceu que a estrada na zona da antiga lota foi encerrada por razões de prevenção e para garantir a segurança.

"Esta decisão foi tomada de forma responsável, face às condições existentes no local, tendo sido previamente assegurada a informação a todas as associações e coletividades com instalações naquela área", refere a mesma nota.

A mesma fonte acrescentou que a câmara desconhecia que estivessem trabalhadores nas marinhas e não teve a intenção de prejudicar e impedir a passagem dessas mesmas pessoas.

Pub

Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.

Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.

Pub

O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar