Canábis financiou terror no Bataclan
Europol acredita que rede de droga pagou ataque em Paris.
O atentado ao Bataclan, que matou 137 pessoas e fez vários reféns durante horas num teatro em Paris, em novembro de 2015, terá sido financiado por uma rede de tráfico de canábis que operava a partir de Marrocos.
A convicção foi esta sexta-feira avançada por Pedro Felício, antigo coordenador da Judiciária e agora no grupo de branqueamento de Terrorismo da Europol, durante o 5º congresso da Investigação Criminal que decorreu em Braga.
"Com os dados que temos, não temos dúvidas de que a rede desmantelada em Mollenbeck, Bruxelas, financiou o ataque ao Bataclan. Em casa do Imã detido foram apreendidos 2,6 milhões de euros em notas sem qualquer justificação", explicou Pedro Felício, ressalvando, no entanto, que a Interpol não tem ainda provas quanto a esta certeza dos investigadores. A operação levou à detenção de 34 pessoas em três países e, além dos milhões, a polícia apreendeu dez quilos de ouro aos terroristas. Numa abordagem sobre o branqueamento de capitais como forma de financiar o terrorismo, avançou que "em quatro anos, 400 milhões de euros entraram em Marrocos através do tráfico de canábis".
Farida Abbas Khalaf, que sobreviveu ao Daesh, contou alguns dos momentos de terror que viveu e criticou "a comunidade internacional por ter falhado na proteção das vítimas de terrorismo e das minorias". Foi aplaudida de pé pela plateia, tal como Gil Carvalho, diretor da PJ de Leiria, que defendeu "mais meios e formação para ajudar as vítimas de crimes".
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