Capitão dos comandos diz que recrutas do curso 127 eram fracos

Comandante de companhia do curso 127, em que morreram dois recrutas, critica formandos.

27 de março de 2017 às 08:05
Comandos, curso, exclusão, razões médicas, questões sociais Foto: Vítor Mota
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Ouvido no inquérito interno que o Exército abriu à morte de dois recrutas no curso de comandos número 127, o comandante da companhia de formação dos comandos revelou o que pensava do grupo de graduados, um dos quatro que faziam parte do curso: "Era constituído por instruendos na sua generalidade de médio/baixo nível quanto à parte física". O que, no seu entender, justifica que tenha havido sete desistências logo nos dois primeiros dias de provas.  

O comandante Rui Monteiro vai ser ouvido esta segunda-feira pelo Ministério Público como arguido no processo que investiga a morte dos recrutas Hugo Abreu (que integrava o grupo de graduados) e Dylan Araújo Silva, que pertencia a outro grupo. O capitão deverá ser confrontado com as declarações que fez na investigação do Exército, reveladas esta segunda-feira pelo jornal Público.O comandante explicou aos investigadores militares que, logo no estágio de preparação para o curso 127, "o desempenho da generalidade do grupo foi aquém do que seria de esperar de um grupo de graduados".Um sargento encarregado da instrução também criticou o grupo. Ao ser confrontado com o facto de todos os recrutas do grupo 127 terem passado nos testes físicos e psicológicos de acesso ao curso de comandos, o sargento respondeu "Quase todos os instruendos [do grupo de graduados] tinham falta de motivação, falta de espírito de sacrifício, falta de caráter", revela o Público.

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