Capitão dos comandos diz que recrutas do curso 127 eram fracos
Comandante de companhia do curso 127, em que morreram dois recrutas, critica formandos.
Ouvido no inquérito interno que o Exército abriu à morte de dois recrutas no curso de comandos número 127, o comandante da companhia de formação dos comandos revelou o que pensava do grupo de graduados, um dos quatro que faziam parte do curso: "Era constituído por instruendos na sua generalidade de médio/baixo nível quanto à parte física". O que, no seu entender, justifica que tenha havido sete desistências logo nos dois primeiros dias de provas.
O comandante Rui Monteiro vai ser ouvido esta segunda-feira pelo Ministério Público como arguido no processo que investiga a morte dos recrutas Hugo Abreu (que integrava o grupo de graduados) e Dylan Araújo Silva, que pertencia a outro grupo. O capitão deverá ser confrontado com as declarações que fez na investigação do Exército, reveladas esta segunda-feira pelo jornal Público.O comandante explicou aos investigadores militares que, logo no estágio de preparação para o curso 127, "o desempenho da generalidade do grupo foi aquém do que seria de esperar de um grupo de graduados".Um sargento encarregado da instrução também criticou o grupo. Ao ser confrontado com o facto de todos os recrutas do grupo 127 terem passado nos testes físicos e psicológicos de acesso ao curso de comandos, o sargento respondeu "Quase todos os instruendos [do grupo de graduados] tinham falta de motivação, falta de espírito de sacrifício, falta de caráter", revela o Público.
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