Casa de Rosa Ramalho está abandonada no meio das silvas
Casa foi comprada pela Câmara em 2010 mas não foram feitas obras.
Foi e ainda é um dos nomes mais sonantes do figurado barcelense. As suas peças em barro vidrado, num tom castanho-mel, fizeram sucesso aquém e além-fronteiras, e apesar de já ter morrido há quase 40 anos, ainda hoje é lembrada como um ícone do figurado de Barcelos.
No entanto, a casa onde viveu e deu azo à criatividade para criar a maioria das suas peças, está totalmente deixada ao abandono. A Câmara Municipal adquiriu o imóvel situado em Galegos S. Martinho, em 2010, com o objetivo de criar um museu dedicado à barrista. Passados todos estes anos, o projeto não saiu do papel.
"Tenho muita pena de ver a casa onde brinquei e onde aprendi a trabalhar o barro com a minha avó transformar-se num amontoado de pedras, cobertas de silvado", desabafou ao CM Júlia Ramalho, neta da artesã barcelense. As negociações para a compra da casa, em Galegos S. Martinho, na rua que entretanto ganhou o nome da artesã, começaram em 2007.
O executivo da altura, liderado pelo social-democrata Fernando Reis, tinha a intenção de reunir no espaço o legado da barrista, criando um museu onde a obra pudesse ser apreciada. O negócio só se concluiu em 2010, já com os socialistas liderados por Miguel Costa Gomes no poder. Mas até agora as obras não começaram e a degradação acentua-se.
O telhado da habitação ruiu por completo e até as paredes começaram a desmoronar-se. A vegetação tomou conta do que resta das paredes. "Eu percebo que agora não há dinheiro para nada, mas é uma pena deixar a casa cair", lamenta Júlia Ramalho.
A ceramista não culpa a câmara, mas não esconde a tristeza pelo "esquecimento" a que foi deixada a sua avó. "Agora deixou de se ouvir falar da Rosa Ramalho. Os mais novos já não sabem quem é", lamenta.
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