Casal emigrante em Inglaterra preso por conspirar rapto dos filhos
Cinco filhos estão à guarda dos serviços sociais. Governo português estuda a melhor forma de apoiar o casal (Atualizada às 19h33)
Um casal português foi detido esta sexta-feira por suspeita de conspiração para raptar os filhos, atualmente aos cuidados dos serviços sociais britânicos, juntamente com outras duas pessoas, disse a polícia do condado de Lincolnshire, no leste de Inglaterra.
A detenção aconteceu hoje às 07h00, tendo as detenções sido feitas em duas moradas diferentes da localidade de Grantham, informou a polícia, que não divulgou as identidades. Dois dos detidos serão José e Carla Pedro, um casal de 43 e 36 anos que emigrou de Almeirim para o Reino Unido em 2003 e cujos cinco filhos, de dois, quatro, sete, 10 e 12 anos estão à guarda dos serviços sociais locais desde abril do ano passado.
Uma porta-voz da polícia não adiantou qual a nacionalidade do outro homem de 43 anos e mulher de 35 anos, também detidos, segundo as autoridades por "suspeita de conspirar para raptar um número de crianças identificadas que estão atualmente sob os cuidados da autoridade local".
A detetive sargento Clare Hammond acrescentou, no comunicado enviado à agência Lusa, que "as crianças em causa têm laços familiares com algumas das pessoas em custódia" e que estas estão "ilesas e continuam sob os cuidados da autoridade local", com a qual a polícia "está a trabalhar de forma muito próxima nesta investigação".
GOVERNO PORTUGUÊS APOIA CASAL (19h29)
O Governo está a avaliar de que forma poderá prestar apoio jurídico ao casal português na manhã de sexta-feira por suspeita de conspiração para raptar os filhos, disse à Lusa o secretário de Estado das Comunidades.
José Cesário adiantou que o cônsul português em Inglaterra vai deslocar-se ainda hoje a Grantham, onde o casal se encontra detido, para tentar falar com os emigrantes portugueses ou com a polícia.
"O cônsul recebeu uma orientação minha para se deslocar a Grantham, onde deve chegar pelas 19h30" (mesma hora em Lisboa), disse à Lusa o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário. O governante revelou que o cônsul já contactou telefonicamente o responsável da polícia, que "não deu muitas explicações", apenas dando "a entender que o casal tinha desrespeitado determinações do tribunal", mas desconhecem-se quais.
Questionado pela Lusa sobre de que forma o Governo poderá apoiar o casal, José Cesário disse ter pedido à embaixada portuguesa em Inglaterra para "verificar de que forma é possível conceder apoio jurídico".
O secretário de Estado disse ter conhecimento da existência de "muitíssimas famílias que têm sido atingidas por este tipo de decisões" das autoridades inglesas, mas este é o primeiro caso a envolver portugueses. "Há mesmo processos abertos contra a justiça inglesa no tribunal europeu", exemplificou.
"O princípio do tribunal de família, em Inglaterra, é a proteção do menor". Os menores que são retirados "à mínima suspeita de maus tratos ou de alguma situação que perturbe emocionalmente a criança", o que faz com que as autoridades inglesas "atuem justamente e provavelmente, muitas vezes, injustamente", comentou José Cesário.
O governante referiu ainda que "um bofetão ou um puxão de orelhas é um crime público" naquele país, o que pode "criar problemas a famílias estrangeiras que não têm esta cultura e não sabem".
A notícia da prisão dos portugueses foi avançada por Sabine McNeill, uma ativista da organização de apoio jurídico Association of McKenzie Friends, na página de Internet que o casal criou.
"Recebi um telefonema esta manhã da polícia, porque eles lhes deram o meu contacto, a perguntar se eu podia representá-los juridicamente, mas eu respondi que nós só prestamos aconselhamento", disse à agência Lusa.
A polícia britânica tem agora 24 horas para interrogar os detidos, o qual pode ser estendido, antes de serem acusados formalmente e presentes a tribunal.
O caso da família portuguesa tornou-se mediático nos últimos dias, no âmbito da campanha para tentarem reaver as crianças e evitar que as duas mais novas sejam entregues para adoção.
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