Casal maltrata e agride operário
"Disseram que iam levar-me de volta para casa, mas de repente, sem saber porquê, começaram a bater-me e atiraram-me da carrinha para o chão. Foram embora e deixaram-me sozinho no mato". É ainda confuso que José Joaquim Mendes, de 53 anos, recorda a violência com que foi agredido, terça-feira à noite, por um casal que há dois anos o tinha levado para Valladolid, em Espanha, para trabalhar na construção civil. Durante esse tempo diz ter sido escravizado.
José, natural de Leça do Balio, em Matosinhos, foi abandonado na Serra da Nogueira, em Bragança. Apesar dos ferimentos, teve forças para caminhar toda a noite até pedir ajuda a um automobilista, na estrada que liga Alimonde e Formil. O operário foi levado para o Hospital de Bragança, onde foi operado. Os repetidos murros e pontapés de que foi alvo romperam-lhe o baço e teve uma hemorragia interna grave. Está livre de perigo, mas continua internado.
O núcleo de Vila Real da Polícia Judiciária está a investigar, até por haver fortes indícios de sequestro. Mas José pouco sabe sobre o casal de agressores. Apenas diz que os patrões são portugueses e que quando chegou a Espanha lhe tiraram os documentos.
"Nunca chegaram a pagar-me nada. Trabalhava horas a fio, era maltratado e a comida também não era grande coisa", contou ao CM. "Não sei por que me bateram; eles tratavam-me mal, mas nunca como agora. Se calhar foi porque disse que se não me pagassem fugia ou porque tiveram medo que eu contasse à polícia espanhola", comentou o homem que tem residência em Bragança há oito anos.
Os bombeiros que socorreram José encontraram-no muito desnorteado e com dores no abdómen
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