Caso Rui Pedro: Hipótese de morte no dia do rapto (COM VÍDEO)

Henrique Noronha, inspector-chefe da Polícia Judiciária do Porto, que tomou conta da investigação ao caso Rui Pedro em 2008, admitiu ontem pela primeira vez que o menino pode ter morrido no dia do rapto. O seu depoimento, na 9º sessão de julgamento, no Tribunal de Lousada, onde foi ainda visionada a gravação da reconstituição feita por Afonso (ver texto secundário), abalou Filomena, mãe do menino.<br/><br/>

14 de dezembro de 2011 às 00:42
LOUSADA, RUI PEDRO, JULGAMENTO, DESAPARECIMENTO, TRIBUNAL, AFONSO DIAS Foto: Nuno Fernandes Veiga
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O investigador foi ainda mais longe nos cenários admitidos e indicou mesmo o local mais provável para o corpo ter sido escondido: a mata de Lustosa, onde Rui Pedro terá sido levado ao encontro com a prostituta.

"Se estiver morto deve estar naquele local, é o mais provável. Mas é muito difícil encontrar o corpo sem o auxílio de alguém que nos indique o local certo onde ele está. É procurar uma agulha em Lousada", disse ontem o inspector-chefe.

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As palavras do investigador deixaram Filomena de rastos. Ficou abalada com a hipótese de nunca mais voltar a ver o filho. "Desde o início do julgamento foram as palavras mais difíceis de ouvir, doeu-me muito", disse, sem esconder a tristeza.

O investigador da PJ mostrou ainda estranheza com a investigação feita pela primeira equipa, logo após o desaparecimento da criança. Henrique Noronha não encontra explicação para o facto de o depoimento de Alcina Dias ter sido desvalorizado. Só quando o inspector--chefe tomou conta do caso é que a prostituta foi ouvida formalmente pela primeira vez. "Tenho dificuldade em perceber porque é que não se valorizou a informação. Quando tomei conta do caso percebi que havia desde o primeiro momento uma ligação à prostituição, por isso segui a pista", explicou. O inspector-chefe acrescentou ainda que foram precisos 13 anos para acusar Afonso, agora julgado por rapto, porque desde o primeiro momento o processo teve apenas uma fixação: encontrar o paradeiro de Rui Pedro.

"Incriminar alguém pelo de-saparecimento esteve sempre em segundo plano. Infelizmente nunca conseguimos perceber o que aconteceu ao Rui Pedro. Percebemos é que existe um intervalo de tempo para o qual o Afonso não tem explicação. As justificações não são plausíveis", disse.

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JUSTIFICAÇÕES DE AFONSO FORAM OUVIDAS EM TRIBUNAL

Os passos que Afonso Dias deu no dia do desaparecimento de Rui Pedro, e cuja reconstituição filmada foi feita em 2004, foram ontem visionados em tribunal. As justificações dadas pelo arguido para aquele dia foram pela primeira vez ouvidas pelo colectivo de juízes. O arguido terá estado com Rui Pedro por volta das 14h30. Garante que o menino não entrou no seu carro, mas não consegue explicar o que fez no período de tempo entre as 15h00 e as 17h00. Para mais de metade desse período dá a justificação de que esteve parado em frente à farmácia Chaves, em Paços de Ferreira. "Estive lá parado em frente à farmácia a fazer horas. Agora já não consigo estar muito tempo dentro do carro, mas na altura fiquei. Estive a ver montras, a passear. Gosto muito de Paços", ouve-se o arguido dizer no vídeo.

De Paços de Ferreira, Afonso segue para Freamunde, onde fica parado em frente a uma fábrica. Volta para Lousada, toma banho e já ao final da tarde regressa aquela freguesia.

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"Não me recordo muito bem do que fiz naquele dia. Sei que depois fui ter com a minha mulher", disse.

"É DURO VER QUE FIZERAM MUITO POUCO PARA ENCONTRAR O MEU FILHO"

Filomena, mãe de Rui Pedro, começa a revelar algum desgaste emocional. Nas últimas sessões de julgamento, não tem conseguido esconder a revolta. O depoimento dos primeiros inspectores que investigaram o desaparecimento chocaram a mãe, que dedicou os últimos 13 anos à procura do filho.

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"É duro ver que fizeram muito pouco para encontrar o meu filho. Não o procuraram logo na altura, desvalorizaram informações. Podíamos ter sabido logo o que aconteceu ao Pedro", disse Filomena.

A mãe do menino lançou duras críticas à investigação e salientou o facto de só agora em tribunal algumas testemunhas terem sido ouvidas pela primeira vez.

Filomena elogiou no entanto o trabalho da 3ª equipa da Polícia Judiciária. "Eles sim, fizeram o que os colegas em 1998 deveriam ter feito. Tentaram reconstituir tudo", salientou a mãe do menino desaparecido.

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