Celebração de missa em português faz 40 anos
Faz hoje 40 anos que o Papa Paulo VI deu por concluídos os trabalhos do Concílio Vaticano II, que tinha começado três anos antes (em 1962), por iniciativa do Papa João XXIII.
Composto por quatro sessões, esta reunião magna, que juntou em Roma cerca de 2500 bispos de todo o mundo, provocou uma “enorme revolução na Igreja”, sendo a face mais visível o fim da obrigatoriedade da celebração da missa em latim, passando a ser rezada na língua de cada país.
“Apesar de votada por esmagadora maioria, com mais de 90 por cento a favor, esta decisão acabou por gerar grande polémica, com alguns dos padres a recusarem-se a celebrar na sua língua e muitas pessoas a dizerem que assim nem parecia missa nem parecia nada”, disse ao Correio da Manhã D. Eurico Dias Nogueira, arcebispo emérito de Braga e um dos 49 bispos portugueses que participaram no Concílio Vaticano II.
ADAPTAÇÃO DEMOROU ANOS
Diz o prelado que “a adaptação não foi fácil e demorou uns quatro ou cinco anos. Inicialmente era frequente os sacerdotes enganarem-se e rezarem em latim e muito mais ainda o povo responder em latim ou ficar calado por não ter ainda decorado as orações.”
De toda a maneira, continua D. Eurico, “a missa em latim também tinha as suas vantagens, já que, em qualquer parte do mundo, um católico podia assistir e participar na missa como se estivesse na sua terra.”
Aliás, era por considerarem que a missa devia rezar-se numa língua supranacional, no sentido de Igreja Universal, que muitos discordavam da alteração introduzida.
No entanto, o avanço concreto para a promoção do ecumenismo e a determinação de que a Igreja é constituída por todos os baptizados, e não apenas pela hierarquia, foram as grandes revoluções do Concílio.
‘Todos somos Igreja’ é, segundo a esmagadora maioria dos teólogos, a frase que melhor define o resultado do 21.º Concílio da Igreja Católica. Provavelmente por isso, há nesta altura já quem defenda a realização de um novo concílio.
D. Eurico Nogueira arcebispo emérito de Braga: “Tem de se pensar num novo concílio”
Correio da Manhã – A Igreja precisa de um novo concílio?
D. Eurico Nogueira – Penso que está na altura de se pensar nisso, apesar de não termos ainda cumprido todas as determinações do anterior.
– O ecumenismo, por exemplo. Apesar dos avanços, trata-se de um processo que, infelizmente, não passou ainda do domínio das intenções.
– Que matérias deveriam ser discutidas em concílio?
– Para além do ecumenismo, penso que urge debater a ordenação das mulheres e o celibato dos sacerdotes.
– E os homossexuais?
– Isso está resolvido. A Igreja continua a aceitar a ordenação de quem tenha tendências homossexuais, desde que eles assumam a castidade total.
FACTOS DA REUNIÃO MAGNA DA IGREJA
49 BISPOS
Entre os cerca de 2500 bispos que se reuniram em Roma, de 1962 a 1965, havia 49 portugueses. Cinco ainda são vivos: D. Eurico Dias Nogueira, D. Custódio Alvim Pereira, D. Davide de Sousa, D. Manuel Trindade e D. Júlio Tavares Rebimbas.
21 CONCÍLIOS
Ao longo dos seus dois mil anos de existência, a Igreja Católica reuniu por 21 vezes os seus bispos em concílio. O primeiro ocorreu em Niceia, no ano 325, para condenar o arianismo. Os mais conhecidos são os de Trento (1545) e Vaticano II.
O MAIS LONGO
O Concílio de Trento, convocado para definir a doutrina contra os protestantes e para fazer a primeira grande reforma da Igreja, foi o mais longo de todos. Apesar de ter sofrido diversas interrupções, durou quase 18 anos, entre 1545 e 1563.
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