Chamas de 30 metros

O presidente da Junta de Freguesia de Cedrim, Sever do Vouga, distrito de Aveiro, não se lembra de um inferno igual, quando na noite passada as chamas avançaram, violentamente sobre as povoações, que só a muito custo conseguiram ser defendidas pelos bombeiros que desde há três dias não têm tréguas.

14 de agosto de 2006 às 00:00
Chamas de 30 metros Foto: Sérgio Azenha, Lusa
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“Vi coisas que nunca tinha visto, como chamas com mais de 30 metros e pessoas em pânico perante o avanço do fogo”, explicou ao CM Edgar Jorge.

O autarca, que desde a primeira hora tem estado a acompanhar a par e passo o desenvolvimento da situação, passou a noite sem dormir e ao meio da tarde ainda não se atrevia a fazer uma previsão para o final do fogo, que se iniciou há três dias mas que os constantes reacendimentos, provocados pelo vento, teimam em prolongar.

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“As chamas estiveram muito perto, ameaçando as populações de Santo Adrião, Vilarinho, Pessegueiro do Vouga e Talhadas, foi um inferno”, afirmou. Mas se nestes locais o fogo esteve perto, na Zona Industrial de Sever do Vouga chegou mesmo a atingir o exterior de uma fábrica de estores e outra de equipamento de frio, que, segundo Edgar Jorge, embora não tenham ardido, registaram avultados prejuízos.

À tarde o fogo voltou para o vizinho concelho de Oliveira de Frades, no distrito de Viseu, numa altura em que, de acordo com o presidente da Junta de Cedrim, não se viam meios aéreos.

“De manhã esteve aqui um avião pesado e um helicóptero, mas neste momento o fogo apenas está a ser combatido em terra, enquanto lavra numa zona onde os bombeiros não conseguem chegar.” Ainda durante a manhã o fogo obrigou ao corte da EN 328 que faz a ligação ao IC2 no nó das Talhadas.

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A situação mais grave às 16h00 vivia-se na freguesia de Redouça, ainda segundo Edgar Jorge.

Segundo o comandante de operações do Centro Distrital de Operações e Socorros (CDOS) de Aveiro, João Bio, a situação melhorou em Cedrim, mas onde persiste, no entanto, uma frente próxima de áreas habitadas que “preocupa ainda” os bombeiros. Este incêndio estava a ser combatido por 176 bombeiros apoiados por 60 viaturas.

O fogo ameaçou também várias casas e fábricas em Vermoim, concelho de Oliveira do Azeméis. O comandante operacional João Bio adiantou que as chamas rondaram os edifícios em Vermoim, freguesia de Ossela, cerca das 16h00, sem chegarem a causar danos.

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ALERTA BAIXA DE AMARELO PARA AZUL

Os níveis de alerta de incêndios florestais estão a baixar, revelou ontem o Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil (SNBPC). O alerta amarelo – terceiro nível de risco – mantém-se até às 21h00 de hoje, passando amanhã para azul. A decisão do SNBPC, comunicada em conferência de Imprensa, resulta de uma diminuição das temperaturas e de um aumento da humidade.

Ao final da tarde de ontem existiam 15 incêndios por circunscrever, dois dos quais a inspirarem maiores preocupações: o incêndio no concelho de Sever do Vouga e o fogo no Parque Natural do Gerês. A evolução deste último, segundo o Gil Martins, Comandante do Serviço Nacional de Bombeiros, era favorável, pelo que devia ficar circunscrito a meio da noite.

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Presente na conferência de Imprensa, o ministro de Estado e de Administração Interna, António Costa, voltou a sublinhar que a prevenção dos incêndios florestais “não produziu os resultados desejados”. “A floresta não está como devia estar”, salientou o governante.

António Costa considera, por outro lado, que há uma “melhoria clara” na capacidade de resposta dos bombeiros, que se traduz na redução substancial da área ardida. Isto deve-se, sobretudo, “à primeira intervenção dos bombeiros no local”, disse o ministro. “Se tal não acontecesse, muitos incêndios não teriam sido extintos”, acrescentou o ministro da Administração Interna.

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