Clientes do Kremlin inseguros
A Câmara de Lisboa diz que não tem poder para fechar a discoteca Kremlin e os bombeiros que desconhecem o espaço porque não são chamados para realizar simulacros. Os gestores da casa dão garantias de segurança total, mas a sociedade que reclama a sua propriedade quer encerrá-la. No meio deste litígio, que se arrasta pelos tribunais, está o público.
Clientes da discoteca contactados pelo CM atestam a falta de segurança. Garantem que usam uma passagem entre as discotecas Kremlin e Kapital, sobretudo quando a última encerra as portas ao público. Descrevem um armazém usado como corredor, “mal iluminado e com pouca refrigeração”.
“Cheguei a ficar 15 minutos à espera que abrissem do outro lado”, refere um dos clientes, dando nota do “ataque de pânico” de um amigo “por ter ficado fechado, enquanto uma porta fecha e a outra não abre”.
Contactado pelo CM, Paulo Dâmaso, administrador dos espaços nocturnos, diz que a tal passagem “está vedada ao público”, sendo usada “só em caso de emergência”.
Adianta que “o Kremlin é uma das discotecas mais seguras do País” e que não há nada a apontar em termos de vistorias. designadamente dos bombeiros que, jura, realizaram a mais recente inspecção há apenas 90 dias.
SIMULACROS POR FAZER
Apesar de desconhecer a data da última vistoria, Fernando Curto, da Associação Nacional dos Bombeiros Profissionais garante que as corporações desconhecem as discotecas porque não são chamadas a fazer exercícios. “Se houver uma situação de emergência e se a discoteca estiver cheia, não conhecendo o espaço pode ser uma situação muito complicada.” Só podem fazer simulacros, diz, “com negligência comprovada”.
A situação do Kremlin voltou ontem à actualidade por causa de um comunicado emitido pela entidade que reclama a propriedade das suas instalações. De acordo com Carlos Barroso, advogado da Sociedade Abílio Fernandes, o relatório da vistoria ordenado pelo presidente da Câmara de Lisboa “recomenda o encerramento da discoteca Kremlin” e alerta para a “situação de ilegalidade” em que se encontra a “passagem que liga à Kapital”.
CÃMARA À ESPERA
Recomendações que a Câmara de Lisboa não confirma, alegando que, em Setembro, pediu vistorias a sete entidades e que ainda não chegaram todos os resultados.
Neste momento, aguarda duas decisões judiciais interpostas pela Sociedade Abílio Fernandes, que pediu ao Tribunal para obrigar a autarquia a encerrar o estabelecimento.
Em Setembro, recorde-se, o presidente da Câmara, Carmona Rodrigues, decidiu manter o Kremlin aberto, contrariando a decisão da vereadora Ana Sofia Bettencourt que, a 31 de Agosto, ordenou o encerramento da casa por entender que o espaço era inseguro. Segundo o gabinete de Carmona, tal decisão revelou-se ilegal por não terem sido consultados o proprietários. E uma vez que a questão da propriedade está para ser decidida em Tribunal, a Câmara diz que “nada pode fazer”.
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