Comandante da Proteção Civil do Douro diz desconhecer interesses económicos associados ao incêndios rurais

Luís Miguel Fonseca admitiu que o sistema precisa de evoluir e de se adaptar aos novos desafios.

01 de junho de 2026 às 19:09
Incêndios rurais Foto: Ricardo Ponte
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O comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Douro disse esta segunda-feira no parlamento desconhecer qualquer negócio ou interesse económico associado aos incêndios rurais e admitiu que o sistema precisa de evoluir e de se adaptar aos novos desafios.

"Portugal tem um bom sistema de proteção civil, mas tem muito por onde evoluir, sobretudo perante a complexidade crescente dos incêndios e das alterações climáticas", afirmou Luís Miguel Fonseca, ouvido esta tarde pela Comissão Parlamentar de Inquérito aos Incêndios Rurais.

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Questionado por vários deputados sobre eventuais ligações entre a gestão dos incêndios e interesses económicos, o comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Douro disse desconhecer a existência de tais negócios, nomeadamente na contratação de meios aéreos ou de outros recursos operacionais.

Sobre os incêndios de 2025 na região Norte, nomeadamente nos distritos de Vila Real, Viseu e Aveiro, o comandante destacou a simultaneidade de grandes ocorrências, que "esgotaram a capacidade operacional".

"Os recursos são finitos", afirmou, referindo que o dispositivo nacional foi ligeiramente superior ao de 2024, mas que a sub-região do Douro perdeu duas equipas de intervenção permanente (de 44 para 42).

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O responsável reconheceu ainda limitações no combate em condições de fumo intenso, fadiga dos operacionais e dificuldades pontuais nas comunicações e operacionais no terreno, embora tenha classificado a rede SIRESP (Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal) como "fiável".

"É uma rede fiável, mas que padece, logicamente, de se continuar a investir para que possa ter melhorias técnicas e de utilização", apontou.

Luís Miguel Fonseca destacou ainda a crescente incorporação de tecnologias na proteção civil, nomeadamente drones, câmaras de videovigilância e ferramentas de apoio à decisão.

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Por outro lado, manifestou preocupação com o recrutamento de operacionais em territórios de baixa densidade demográfica, embora tenha salientado o papel crescente dos municípios e as 39 equipas de intervenção permanente já operacionalizadas na sub-região do Douro (19 municípios).

Sobre o programa "Aldeias Seguras, Pessoas Seguras", considerou-o "um exemplo positivo", sublinhando o seu contributo para situações de confinamento controlado em detrimento de evacuações em massa.

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