"Como é possível torturarem assim estes jovens?", pergunta a mãe de comando morto

Lucinda Silva lembra seis meses da morte do filho Dylan no curso dos comandos.

12 de março de 2017 às 12:35
Foto: Direitos Reservados
Dylan Silva, Ponte de Lima, Alcochete, Hugo Abreu, Hospital Curry Cabral, Lisboa Foto: Direitos Reservados
Dylan Silva, Ponte de Lima, Alcochete, Hugo Abreu, Hospital Curry Cabral, Lisboa Foto: Facebook
Dylan Silva, Ponte de Lima, Alcochete, Hugo Abreu, Hospital Curry Cabral, Lisboa Foto: Facebook

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Lucinda Silva, mãe do soldado Dylan Silva, que morreu durante a instrução do 127º curso de comandos escreveu esta sexta feira uma mensagem emocionada na rede Social Facebook. 

Lembrando os seis meses que passaram desde a morte do filho, durante um curso que fez outra vítima mortal, Lucinda expressa a sua revolta.

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"Peço à justiça que não deixem abafar, não fechem os olhos. Os responsáveis têm que ser punidos. Não estou a falar da instituição comandos, mas dos responsáveis pela morte do meu filho e do seu colega. Os comandos vão em missão para salvar vidas, e cá tiram a vida dos instruendos nos treinos", escreve Lucinda.Numa das passagens, a mãe de Dylan faz várias acusações: "se quando o meu filho se sentiu mal fosse de imediato conduzido para o hospital ainda hoje estaria aqui. Mas não... deixaram-no ali a morrer aos poucos e, quando foi levado para o hospital era tarde demais... ""Meu filho, como isto pode acontecer? Como é que é possível terem feito isto contigo? Porque é que te tiraram a vida desta maneira? Um menino cheio de vida, lutador, cheio de sonhos. Como é possível torturarem assim estes jovens? Para além da dureza dos treinos, ainda são humilhados, espancados, e morrem à sede. Para quê? Para a guerra? Qual guerra? E lá não há água?".O caso da morte dos comandos continua a ser investigado na Justiça. Estão constituídos sete arguidos.Leia a mensagem completa de Lucinda Silva:

"Seis meses passaram, 6 meses sem te ver, sem te abraçar, sem conversar contigo, 6 meses sem o teu lindo sorriso, as tuas gargalhadas, as tuas brincadeiras. 

Meu filho, como isto pode acontecer? Como é que é possível terem feito isto contigo? Porque é que te tiraram a vida desta maneira? Um menino cheio de vida, lutador, cheio de sonhos. Como é possível torturarem assim estes jovens? Para além da dureza dos treinos, ainda são humilhados, espancados, e morrem à sede. Para quê? Para a guerra? Qual guerra? E lá não há água? 

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E depois de não aguentarem mais deixam-nos morrer ali, nem uma ambulância chamam... se quando o meu filho se sentiu mal fosse de imediato conduzido para o hospital ainda hoje estaria aqui. Mas não... deixaram-no ali a morrer aos poucos e, quando foi levado para o hospital era tarde demais.

Eu não consigo tirar da minha cabeça as imagens de meu menino naquela cama de hospital. Eu queria ter sofrido por ti meu amor, ter partido por ti, eu queria ter dado a minha vida por ti, mas não consegui te ajudar meu amor. A tua vida parou ali, a minha também, e quem fez isto contigo continua a vida normal. Só peço a Deus que me ajude a continuar este inferno em que se transformou a minha vida. 

Sem ti a vida não tem interesse, não faz sentido. Tiraram-me o melhor que eu tinha em minha vida.

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Por isso, por favor eu peço à justiça que não deixem abafar, não fechem os olhos. Os responsáveis têm que ser punidos. Não estou a falar da instituição comandos, mas dos responsáveis pela morte do meu filho e do seu colega.

Os comandos vão em missão para salvar vidas, e cá tiram a vida dos instruendos nos treinos. 

Meu filho, je t'aime eternamente. És o meu herói, o meu grande amor.

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Até já meu soldado lindo"

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