Condenado a 22 anos de prisão
O Tribunal da Boa-Hora condenou ontem André C., estudante de psicologia – acusado de matar a ex-namorada e de pegar fogo ao cadáver para o tentar ocultar –, a uma pena de prisão de 22 anos e ao pagamento de uma indemnização à família da vítima de 230 mil euros.
O colectivo de juízes presidido por José Reis deu como provada a acusação, com excepção de quatro pormenores, e rejeitou por completo a versão do arguido, que alegava que as agressões infligidas a Ana Sofia tinham acontecido na sequência de uma relação sexual sado-masoquista.
Os magistrados da 8.ª vara não tiveram dúvidas em considerar que se tratou de um crime “cometido com grande violência”, de uma “perversidade pouco comum e especialmente censurável”, para o qual o arguido “não deu nenhum mondo-o, em cúmulo jurídico, a 22 anos de prisão – 21 anos e nove meses pelo crime de homicídio qualificado e oito meses por profanação de cadáver.
Após ouvir a leitura da sentença, André C. limitou--se a dizer ter entendido e saiu da sala, onde se encontravam vários familiares seus e de Ana Sofia, sob escolta policial para regressar ao Estabelecimento Prisional, onde está detido desde Setembro de 2005. O advogado da família da vítima, António Colaço, congratulou-se com a sentença: “A Justiça desta vez funcionou”.
"FOI JUSTIÇA"
“Para haver paz tem de haver Justiça e acho que foi feita Justiça, embora nada traga a minha filha de volta”. As palavras são de Manuela Figueira, mãe de Ana Sofia, filha única, que ontem fez questão de assistir à sentença.
PROCESSO DE ROUBO
O crime cometido por André C., que ontem o tribunal deu como provado, aconteceu numa altura em que o arguido estava com pena suspensa no âmbito de um processo de roubo, ao qual vai ser junta agora uma certidão do acórdão.
FALSAS DECLARAÇÕES
O procurador do Ministério Público mandou abrir um processo-crime por falsas declarações prestadas pela actual namorada do arguido, que, em tribunal, afirmou estar a trabalhar no dia do crime, tendo porém a defesa da família de Ana Sofia demonstrado não ser verdade.
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