CONSEQUÊNCIAS AMARGAS DOS REFRIGERANTES
O consumo diário de refrigerantes açucarados aumenta o risco das mulheres jovens sofrerem de diabetes tipo 2.
Quem o afirma são cientistas da Universidade norte-americana de Harvard, num estudo publicado no 'Journal of the American Medical Association', feito com base na observação dos hábitos de 140 mil mulheres. Para eles, não restam dúvidas: o consumo de refrigerantes é um dos grandes responsáveis pelo aumento da obesidade e pela diabetes.
"Há muito que é conhecido o risco dos refrigerantes adocicados", refere José Manuel Boavida, Director Clínico da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal. "Para a catástrofe que é o aumento da obesidade entre as crianças e os jovens, esse é um dos elementos importantes a ter em conta", afirma o especialista.
É que as latas de refrigerante podem conter 150 quilocalorias e cerca de 50 gramas de açúcar. Autênticas bombas calóricas, têm ainda a agravante, no caso das bebidas de cola, de conterem corantes capazes de aumentar a resistência à insulina, de acordo com Mathias Schultz, co-autor do trabalho.
Na opinião de Rui Duarte, secretário-geral da Sociedade Portuguesa de Diabetologia, "trata-se de um estudo inserido numa grande campanha para o combate ao aumento do número de jovens com diabetes tipo 2". Nos EUA, onde, entre 1977 e 1997, o consumo de bebidas com gás subiu 61 por cento entre os adultos e mais do dobro entre as camadas mais jovens, consegue perceber-se o porquê de tamanha preocupação. Mas de acordo com os especialistas, não é só a América que tem de preocupar-se.
Entre nós, segundo dados da Associação Nacional dos Industriais de Refrigerantes e Sumos de Fruta, o consumo destas bebidas subiu de 509 milhões de litros em 1996, para mais de 800 milhões em 2002. "Ainda não temos os problemas à mesma escala que os Estados Unidos, mas para lá caminhamos", afirma Rui Duarte. Opinião partilhada por José Manuel Boavida. "Em Portugal, 30 por cento das crianças têm excesso de peso e este é um tema que precisa de intervenção. Sei que existe intenção de legislar sobre a quantidade de açúcar contido nestas bebidas refrigerantes, mas deve ser uma actuação rápida", afirma.
Para este clínico, reduzir a quantidade do doce ingerido torna-se tarefa prioritária. "O nosso organismo nunca esteve submetido a uma carga tão grande de açúcar. E isso tem consequências, que podem ser muito graves."
NÚMEROS
Estudos recentes apontam para a existência de cerca de 500 mil diabéticos em Portugal. Um número preocupante, que pode chegar ao milhão em 2020, se nada for feito para inverter a tendência.
VÍTIMAS
Outros dados revelam também que um décimo da população nacional está muito perto de vir a fazer parte das estatísticas e ser a próxima vítima da diabetes.
SOLUÇÃO
Promover a educação para hábitos alimentares saudáveis, evitar o consumo de calorias e aumentar a actividade física, assim como dar alternativas à ingestão de alimentos ricos em açúcares é a solução apontada para resolver um problema que adquire proporções cada vez mais graves.
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