Convento abandonado preocupa moradores
Espaço serve, há meses, de refúgio a dezenas de sem-abrigo e toxicodependentes.
Roupa, calçado, embalagens de bebidas, seringas, agulhas e papéis. Lixo que se acumulou ao longo do tempo na entrada do antigo Convento das Carmelitas Descalças, em Ramalde, no Porto. O edifício, fechado há mais de dez anos, tem vindo a degradar-se e o claro estado de decomposição tornou-se, há meses, apelativo para sem-abrigo e toxicodependentes, que se refugiam no jardim do complexo. Os moradores sentem-se inseguros.
"São dezenas de toxicodependentes que todos os dias vivem ali. É assustador" disse ao CM Joaquim Faria, de 69 anos, morador da freguesia. "Vivo aqui há 50 anos, isto entristece toda a gente. E é uma preocupação muito grande, passam ali crianças à noite e veem aquele cenário degradante", desabafou ao CM uma moradora que preferiu manter o anonimato, por temer represálias. Apesar de a revolta ser geral, o receio de reações negativas faz com que os populares vão ignorando a situação, que parece não ter fim à vista.
O complexo, em tempos ocupado por freiras do Carmelo do Imaculado Coração de Maria, é propriedade de uma empresa privada, sediada em Oeiras, e está à venda por quase dois milhões de euros. Ao CM, o presidente da Junta de Freguesia de Ramalde, António Gouveia, disse que "apesar de já terem surgido alguns interessados nos últimos anos, ninguém conseguiu pagar o valor pedido". "Se a Junta tivesse dinheiro, comprava. Gostávamos de ver a situação resolvida", acrescentou António Gouveia.
Os vitrais da igreja estão partidos e, de acordo com os moradores, o espaço de culto já foi vandalizado e assaltado mais do que uma vez.
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