CORUCHE DESFILA NA RUA
Agosto é por tradição o mês de regresso a casa dos emigrantes que saíram em busca de melhor vida e das festas que por esta altura do ano decorrem no interior do País.
Nesse sentido, Coruche não fugiu à regra e ontem, ao fim da manhã, assinalou com um ‘Cortejo Etnográfico e do Trabalho’ o penúltimo dia das festas que desde o passado dia 6 de Agosto e até hoje, decorrem neste concelho ribatejano.
Na rua marginal ao rio Sorraia, os passeios serviram de plateia (ou balcão) a alguns milhares de curiosos que ali se juntaram para ver desfilar o cortejo, que se pretendia representativo das actividades mais características das gentes do concelho.
DO TOIRO AO BARBO
Encabeçado por uma guarda de honra de dois cavaleiros da GNR, seguidos pela Banda da Sociedade Instrução Coruchense, o cortejo começou por representar a actividade pecuária, com campinos a cavalo a conduzirem algumas cabeças de gado, incluindo toiros embolados.
Seguiram-se depois três carros simbólicos da relação com o rio: o primeiro representando as antigamente populares lavadeiras, o segundo, a monda de arroz nos campos alagados, e o terceiro recordando a arte rústica (cestaria) que se servia de materiais abundantes ao longo das margens – salgueiro e bunho. “Com a verga até dá gosto trabalhar!”, respondia o artesão do carro às provocações lançadas pelos assistentes.
Mais toiros e mais campinos e regresso à relação com o rio, desta vez num alusão à pesca, à venda de peixe e aos respectivos pregões: “Olhá fataça! Olhó barbo! Venham ver a respirar esse peixe tão fresquinho acabado de apanhar”.
E DA TABERNA À MERCEARIA
O comércio tradicional – taberna para os homens, mercearia para as mulheres – os amoladores (”tesouras e guarda-chuvas”), a venda de criação, o cultivo do milho, moagem de farinha, fabrico do pão e o pisar da uva para o vinho foram os temas constantes nos carros que se seguiram, não esquecendo a construção civil (típicas casas em adobe com telhados em junco), os ranchos folclóricos e a cerâmica. A última actividade a ser representada foi a dos varredores de rua ou não estivéssemos em tempo de ciclismo e o último veículo do pelotão não se chamasse precisamente carro-vassoura.
PESCA
A pesca tradicional foi desenvolvida no Ribatejo por gente do mar que subiu Tejo acima atrás do peixe. Aos poucos fixaram-se nas margens deste rio, e afluentes como o Sorraia, em pequenas casas de madeira assentes sobre estacas. Barbo, carpa, fataça, enguia, sável e lampreia vendidas a pé ou de bicicleta.
VINHO
Coube à freguesia de Lamarosa representar a produção de vinho. Depois de colhidos, os cachos eram transportados em cestos de verga para o lagar, onde as uvas eram pisadas, ficando depois em repouso para a fermentação se fazer. Depois de estágio em adega, lá ficava pronto para beber no S. Martinho.
CESTARIA
Ao longo das margens do rio Sorraia crescem abundantemente o salgueiro e o bunho, matérias-primas para o fabrico de cestos. Coube ao artesão António Lourenço demonstrar como, entrelaçando os vimes, se conseguem construir objectos usados no quotidiano.
ARROZ
Produto agrícola característico dos campos alagados, o cultivo de arroz é frequente no Ribatejo. Ainda que hoje a produção seja quase integralmente assegurada por máquinas, antigamente não era assim e era no pino do Verão que a monda se fazia... à mão.
BARREIRO
Festas Populares do Barreiro conheceram ontem o seu momento mais alto com o desfile de barcos tradicionais no Rio Tejo, pelas 16h00. De manhã, às 09h00, realizou-se um circuito ribeirinho de bicileta para todas idades.
ARRUDA DOS VINHOS
Festas da N.ª Sr.ª da Salvação incluiram largada de touros nas ruas da vila (10h30), troféu de perícia automóvel (14h00); torneio de “paintball” (14h30) e culminaram com o 6.º Concurso de Ganadarias (22h30).
VALONGO
Câmara Municipal de Valongo organizou ontem pelas 14h00 o 1.º Troféu de Ciclismo de Alfena. Inscritos na prova, realizada em circuito urbano, estiveram mais de 350 ciclistas em representação de 25 equipas.
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