Crime de Telheiras causa dor e revolta no Alentejo

O brutal e macabro homicídio de uma jovem estudante de 21 anos, ocorrido na sexta-feira na casa do ex-namorado, em Lisboa, deixou em estado de choque a população da cidade de Estremoz, de onde a vítima era natural. “Como é que é possível alguém matar uma jovem daquela forma fria e cruel?”, interrogavam ontem os locais.

05 de outubro de 2005 às 00:00
Crime de Telheiras causa dor e revolta no Alentejo Foto: Alexandre M. Silva
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Ana F. foi assassinada à pancada por André C., um rapaz de 24 anos, natural de Vila Viçosa e com graves problemas relacionados com o consumo de drogas. Pouco depois, o homicida queimou o corpo da vítima e tentou ocultá-lo num caixote do lixo camarário que tinha ido buscar perto da sua casa, na Rua Professor Prado Coelho, em Telheiras.

“Quando me contaram o que aconteceu, nem acreditei. A Ana não merecia isto”, disse emocionado o primo e amigo da falecida, Marcos Grazina. Este familiar acrescentou ainda que se a PJ não tivesse detido o criminoso já tinha sido feita justiça com as próprias mãos.

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“Algumas amigas da Ana dizem que querem ir vê-lo à prisão para perguntar as razões que o levaram a cometer o crime. As pessoas estão revoltadas e se lá fosse não era capaz de conter-me”, frisou.

A avó paterna de Ana F., de lágrima nos olhos, não conseguiu ontem esconder o enorme desgosto. “Era filha única e uma boa rapariga. A família está muito em baixo e não compreende como é que há alguém com coragem para fazer uma coisa destas”, disse Maria da Conceição.

TERROR DA VILA

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Em Vila Viçosa, terra do homicida, a tragédia também não deixou ninguém indiferente. “Isto foi um choque para todos nós. O rapaz sempre foi muito agressivo e toda a gente tinha medo dele quando estava drogado, mas nunca ninguém pensou que fosse capaz de assassinar uma pessoa”, referiu uma popular, que preferiu o anonimato. Aliás, nesta vila ninguém se quis identificar ao nosso jornal como medo de uma futura vingança.

“O rapaz é psicopata e sei lá se um dia, quando sair da prisão, não faz o mesmo aos meus filhos”, salientou outra mulher.

Para a população, André C., filho mais velho da secretária do presidente da autarquia local e de um professor de educação visual, sempre foi o jovem mais violento de Vila Viçosa. Por várias vezes foi visto a vandalizar ao murro, pontapé ou à pedrada caixotes do lixo, viaturas e espaços públicos, como o jardim ou as piscinas.

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“Sempre foi muito inteligente, mas de vez em quando passava-se e partia os vidros dos carros, portas ou janelas das casas. Por isso, foi várias vezes a tribunal”, acrescentou outra popular.

ROUBAVA-LHE CARTÕES

Ana F., que frequentava em Lisboa um curso superior na área da comunicação, terá sido vítima há algum tempo de roubos dos cartões multibanco por parte do homicida. O rapaz, que também estudava na capital num curso de psicologia, levantou na altura mais de quatro mil euros. “Precisava de dinheiro para a droga e sabia que o pai dela, empresário do sector dos mármores, tinha a conta recheada. Desta vez, devia precisar de mais algum e se calhar como ela não quis dar bateu-lhe”, disse um familiar. O homicida, conhecido por agredir as namoradas, foi denunciado pela última, uma advogada com quem partilhava a habitação. Ao chegar a casa, esta deparou-se na sala com o cadáver de Ana F. e chamou a polícia. André C. está em preventiva.

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NAMORO

Ana F. e André C. conheciam-se há muito tempo e as casas de seus pais distavam pouco mais de 15 quilómetros. Durante meses chegaram a namorar, mas a relação já tinha terminado há um ano.

ENCONTROS

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A vítima tinha muitos amigos em Estremoz e costumava divertir-se nos bares da cidade e em Évora. Estes dizem que Ana F. por vezes encontrava André e ambos mantinham ainda uma relação de amizade.

FUNERAL

Ana F. foi anteontem a enterrar no cemitério de Estremoz. O funeral teve lugar pelas 17h00 e contou com centenas de populares, amigos e familiares da vítima. Ouviu-se várias vezes o grito de “assassino”.

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