Das asneiras aos insultos nas redes sociais: o advogado de Bruno de Carvalho
Vernáculo, insultos, ataques ao Benfica, comentários homofóbicos e machistas.
"José Preto não abandonou Bruno de Carvalho, apenas defendia que devia haver tribunal de júri e os outros quatro colegas defendiam o contrário. Eu também estive no primeiro interrogatório, em novembro, e decidimos que seria eu a representar o Bruno de Carvalho nesta fase". Foi assim que Miguel A. Fonseca explicou o facto de passar a ser o advogado o antigo presidente do Sporting no âmbito do caso das agressões na Academia dos "leões", em Alcochete, cuja fase de instrução arrancou esta terça-feira. BdC é ouvido esta quarta-feira no Campus da Justiça, em Lisboa, sobe os acontecimentos de 15 de maio de 2018.
José Preto, que se queixou da comida da prisão de Monsanto, ameaçou um funcionário do Instituto de Reinserção Social e afirmou que só escreveria no "Pravda", porque os jornais portugueses são como "placards de bordéis", era considerado um advogado polémico, mas Miguel A. Fonseca parece não ficar atrás – seja por questões profissionais, seja pela sua postura nas redes sociais. Aqui, não se coíbe de atacar magistrados, usar vernáculo, insultar jornalistas e antigos dirigentes do clube de Alvalade, fazer comentários sexistas, homofóbicos e também racistas.
Na rede social Instagram, a presença do advogado tornou-se mais ativa em março de 2018, com Bruno de Carvalho ainda a presidente e antes da polémica publicação do líder do clube com críticas aos jogadores depois da primeira-mão da partida europeia frente ao At. Madrid. Depois da segunda ronda, e já com a polémica instalada em Alvalade, Fonseca publicou uma foto onde diz "que se f**** os burros de c******". Já depois das agressões, faz um post onde confessa que "já esteve mais convicto quanto a correr com Bruno de Carvalho". É a partir daqui que se demonstra claramente apoiado de BdC – segundo o Correio da Manhã é mesmo membro do Leais ao Sporting, grupo de apoio ao presidente destituído.
Aliás, Miguel A. Fonseca esteve presente na assembleia extraordinária dos "leões" que definiu a saída do então líder dos "verde e brancos". Nas redes sociais colocou uma fotografia com Bruno de Carvalho e outra onde se vê o ecrã dos dos sócios inscritos para falar durante a reunião magna. Discursou durante 2,23 minutos – diz a foto.
Durante os meses conturbados vividos em Alvalade, atacou Marta Soares – publicou uma imagem em que o antigo dirigente "leonino" aparece retratado como jihadista -, Álvaro Sobrinho, José Maria Ricciardi Sousa Cintra. Ao atual presidente, Frederico Varandas, chama "gaiola". Outro dos alvos foi Gelson, um dos jogadores que rescindiu contrato com o Sporting, a quem chama "macaco", expressão também usada com Marta Soares.
No campo futebolístico, o Benfica é o alvo preferencial, com várias referências a corrupção e ao processo e-Toupeira. "Corruptos traficantes, em Alvalade ides ser enrabados novamente! Et pluriburrus corruptus", escreveu numa das publicações, onde Luís Filipe Vieira aparece retratado como um polvo.
As polémicas não terminam aqui. Ao longo das 111 publicações feitas na rede social Instagram até 2 de julho de 2019, Miguel A. Fonseca faz ainda vários comentários homofóbicos e machistas. "Jovem moderno viril aceita com todo o gosto refugiado carente de carinho, amor e apoio para vida a dois. Sempre solidários estes jovens modernos, até comovem os corações mais empedernidos...", é a legenda de uma fotografia em que aparece um rapaz de vestido. Noutra publicação idêntica, a legenda é: "P*** que pariu!!! Olha um gajo cruzar-se com isto na rua com isto?!".
"Novas estagiárias lá do escritório… Alguém resiste a estes lindos olhos?!", é a frase colocada na imagem com duas jovens, que vestem decotes pronunciados.
Já no Twitter, ataca a ministra da Cultura, Graça Fonseca, que assumiu a sua homossexualidade publicamente numa entrevista ao Diário de Notícias. "Foi para isto que saiu do armário?", escreveu, comentando afirmações da governante sobre 170 obras da coleção de arte do Ministério da Cultura cujo paradeiro é desconhecido. Noutras publicações nas redes sociais, pergunta quem vai a um almoço de apoio a Sócrates e acusa a Procuradoria Geral da República de se ter transformado num instrumento de "caça ao homem". Há ainda pedidos de informação sobre algumas pessoas a troco de dinheiro.
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