De que forma podem os portugueses sair da gruta de Cueto-Coventosa?

Sérgio Barbosa, vice-presidente da Federação Portuguesa de Espeleologia, revela que a travessia da gruta pode demorar 20 horas.

21 de outubro de 2019 às 11:17
Gruta Cueva-Coventosa Foto: Facebook
Gruta Cueva-Coventosa Foto: Facebook

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Quatro portugueses encontram-se retidos no conjunto de grutas de Cueto-Coventosa, na Cantábria, Espanha. A expedição estava marcada para entre sexta-feira, 18, e esta segunda-feira e era composta por sete pessoas: três da equipa de apoio e as quatro que ficaram retidas.

A equipa de espeleólogos experientes pertence ao Clube de Montanhismo Alto Relevo de Valongo. Os esforços de resgate arrancaram no domingo, dia 20, e para já a maior dificuldade a impedir a saída dos espeleólogos é o nível das águas.

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Sérgio Barbosa, vice-presidente da Federação Portuguesa de Espeleologia, já esteve nas grutas e afirma à SÁBADO que apesar de o resgate ser trabalho "para demorar várias horas", "há sempre zonas onde se consegue estar a seco".

"Quanto às águas é esperar que não chova mais, esperemos que o nível baixe o suficiente para os retirarmos. A bombagem da água é complicada, bem como transportar bombas para o interior da gruta", aponta.

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A equipa de portugueses deverá ter ficado retida antes dos três lagos dentro do conjunto de grutas, onde não existem entradas de luz. "Há a zona vertical, do Cueto, e depois das descidas deverão ter caminhado um pouco na horizontal e estarão à espera que o nível da água desça", explica Barbosa, que já visitou as grutas.

Este complexo é composto pelo Cueto, cuja entrada é no topo da montanha, e pela Coventosa, onde se situa uma nascente de água. Entre a entrada pelo Cueto e a saída pela Coventosa, existe um desnível entre 600 e 800 metros.

"É uma gruta mais ou menos visitada. É uma travessia longa, entre entrar no Cueto e sair na Coventosa, demora-se 20 horas. Se forem pessoas com muita experiência, talvez 16 horas", explica Barbosa. "À partida, os portugueses estarão preparados para saírem sozinhos. Têm arneses, mosquetões e aparelhos para andar nas cordas. Terão alimentação para se manterem confortáveis, e roupa para pararem a descansar."

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Por existirem tantas grutas na zona da Cantábria, também os socorristas são experientes. A equipa ESOCAN é composta por espeleólogos "muito bem preparados e rodados neste tipo de resgates".

"Há a possibilidade de entrar pela saída, como o ESOCAN está a fazer", explica Sérgio Barbosa. "Os socorristas querem criar um corrimão lateral ao longo da galeria da gruta, visto que o chão está alagado e com grande corrente de água."

O vice-presidente da FPE já visitou a gruta: "Não é a gruta típica com muitas formações, pois a água não permite a formação de estalactites e estalagmites. A parte final, da Coventosa, tem galerias do tamanho das estações do Metro."

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