DEGOLADO À NAVALHADA
O sangue está agora coberto de areia, que ainda mal esconde o vermelho de uma madrugada de violência que fez acordar a Charneca da Caparica, na Margem Sul. No chão ficaram dois brasileiros, um morto e outro ferido gravemente, atingidos a golpes de navalha, além de um outro ferido mais ligeiramente, atingido por pedras.
O que empunhava a navalha, um cabo-verdiano, acabou por se entregar à GNR, embora também ficasse ferido na contenda. A razão poderá ter sido uma disputa relativamente a uma mulher.
Pouco passava das 05h00 da madrugada de ontem. Na Estrada Nacional n.º 377, que atravessa a povoação, apenas se ouvia o barulho de um ou outro carro. Numa das habitações contígua à via, a Vivenda Andrade, uma família foi, no entanto, acordada por gritos. “O meu pai diz ter começado a ouvir muito barulho, gritos e confusão.”
Chegou-se à varanda. No chão jazia um corpo e um outro indivíduo gritava com ferimentos múltiplos na barriga. Foi nessa altura, mais ou menos, que por ali passou também o Tiago, de 18 anos, que vinha da Costa de Caparica. “Estava um corpo no chão, já tapado, mas quando o levantaram a cabeça quase que se soltava dos ombros. Tinha um golpe bem grande.” Havia quem dissesse que vítimas e agressor tinham vindo do Bar do Duque, um restaurante no centro comercial com o mesmo nome, também na Charneca da Caparica, concelho de Almada.
Mas a verdade é que não houve quaisquer incidentes nesse estabelecimento, segundo garantiu o proprietário, Rogério Nazaré: “Estivemos abertos até às 02h30 da madrugada, fui eu até que fechei a porta e dentro do restaurante não aconteceu rigorosamente nada.”
Rogério Nazaré nem mesmo sabe dizer se os indivíduos envolvidos na cena de violência teriam estado ou não no estabelecimento. Os nomes Arildo Ramos, a vítima mortal, de 26 anos, e Emílio Vieira, o ferido grave, de 31, “não dizem nada” a Rogério Nazaré.
Aliás, os incidentes ocorreram 500 ou 600 metros para lá do restaurante. Segundo as autoridades, um grupo de quatro brasileiros e um cabo-verdiano começaram a insultar-se e daí passaram às agressões, incluindo apedrejamento. As marcas do sangue ainda ontem lá estavam ao longo de mais de 20 metros.
O momento crítico foi a altura em que o cabo-verdiano puxou da navalha – uma ‘borboleta’ – e se lançou, em corpo-a-corpo, contra os brasileiros. Um recebeu um largo golpe no pescoço, acabando por morrer, enquanto o outro era atingido em múltiplos pontos do tronco. Os feridos foram transportados ao Hospital Garcia de Orta, em Almada. A GNR tomou conta da ocorrência.
Os incidentes ocorreram na Estrada-Nacional n.º 377, num espaço de 20 metros. Valeu tudo, desde apedrejamento com pedras de calçada a golpes de navalha. No fim, verificou-se um morto e três feridos, um deles grave. A GNR deteve o homicida, um cabo-verdiano que empunhava a navalha – uma ‘borboleta’.
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