DEMOLIÇÃO DE BAIRRO A MARTELO E PICARETA
A escarpa é íngreme e os acessos por vielas estreitas e pejadas de degraus impedem que as máquinas ali possam chegar.
Por isso, as obras de demolição do Bairro da Capela, às Fontainhas, começaram ontem de um modo manual. Empoleirados nos telhados, os operários retiraram as telhas e os travejamentos dos tectos, enquanto cá em baixo outros arrombaram paredes a golpes de picareta.
A demolição do Bairro da Capela ficou praticamente decidida há dois anos, altura em que os rigores do Inverno causaram um aluimento de terras que fez perigar as 14 famílias que ali residiam. Perante o espectro da tragédia iminente, a Câmara do Porto decidiu comprar as casas aos senhorios e iniciar um processo de realojamento dos moradores.
Ontem, o vice-presidente da autarquia, Paulo Morais, fez questão em estar presente no início das operações de demolição, assegurando que 13 famílias já têm casa atribuída, “de acordo com as escolhas dos moradores e disponibilidades da autarquia”. Apenas uma família se opôs à mudança, mas a Câmara já avisou que “se a recusa se mantiver avançar-se-á com uma ordem de despejo”.
As condições do terreno impossibilitam a entrada de um ‘bulldozer’ mas, durante este mês, será ali instalada uma grua para acelerar a demolição dos edifícios. Os primeiros trabalhos consistiram na retirada das portas e janelas, de modo a evitar que as habitações sejam reocupadas por outras famílias ou utilizadas por marginais.
O facto dos trabalhos de desmantelamento não recorrerem a maquinaria agradou à Associação de Moradores da Zona das Fontainhas, que temia pela segurança de outros bairros contíguos, como os da Tapada, Olímpia e Maria Vitoriana. Disso mesmo deram conta ao vereador da CDU, Rui Sá, responsável pela Habitação, que recentemente visitou aqueles bairros.
Paulo Morais, por seu turno, garantiu que todas as habitações da escarpa das Fontainhas vão ser alvo de uma rigorosa vistoria de segurança, de modo a evitar quaisquer acidentes no próximo Inverno. “Vamos vistoriar e exigir aos proprietários o cumprimento das suas responsabilidades. Há senhorios menos escrupulosos que se têm aproveitado da pobreza desta gente que, em muitos casos, paga rendas muito altas para viver em casas sem condições”, referiu.
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