DERROCADAS DE PEDRAS ASSUSTAM OLHO DE BOI
Um estudo realizado pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), a pedido do Instituto de Conservação da Natureza (ICN), deixa sérios avisos de derrocada para a escarpa que envolve a localidade de Olho de Boi, aos pés do Cristo-Rei, no concelho de Almada. Recusando alarmismos, a autarquia local promete obras para breve.
Depois de, em Janeiro deste ano, terem assistido à derrocada de alguns pedregulhos de grandes dimensões, que não causaram mais do que um grande susto, as pouco mais de dez famílias que ainda residem na zona ribeirinha de Olho de Boi mostram-se agora ansiosas para que “obras credíveis de reforço da encosta sejam realizadas no mais curto espaço de tempo”.
Apesar de residir em Cacilhas, Salete Marques desloca-se regularmente a Olho de Boi há dezoito anos. Proprietária de uma série de armazéns que aluga a pescadores que frequentam a zona, a empresária é favorável a que a “estrada de acesso à zona riberinha de Olho de Boi seja completamente cortada, para que eventuais acidentes não aconteçam mesmo”.
“Até agora não têm acontecido azares. Mas enquanto a Câmara não sustentar a parte de cima da encosta, um acidente pode mesmo acontecer”, acrescentou Salete Marques.
Outra testemunha da situação no Olho de Boi, Guiomar Silva, residente na zona há mais de 20 anos, afirma não viver alarmada. Reconhecendo a “beleza natural” do local, aponta a necessidade de “uma cooperação entre o Instituto de Conservação da Natureza e autarquia de Almada, entidades responsáveis pelo local.
Aguardando pelo relatório final do estudo, a Câmara almadense afirma-se confiante. Recorrendo a um estudo autárquico sobre a falésia compreendida entre Cacilhas e a Trafaria, que atesta “não haver perigos de deslizamentos”, Henrique Carreiras, vereador da Protecção Civil, aponta que só o relatório final “pode indicar um caminho a seguir”.
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