Dezasseis mil contra o Museu de Salazar

A União dos Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP) vai entregar amanhã, na Assembleia da República, uma petição com mais de 16 mil assinaturas contra a criação do Museu de Salazar que a autarquia de Santa Comba Dão quer instalar na terra natal do estadista.

04 de novembro de 2007 às 00:00
Dezasseis mil contra o Museu de Salazar Foto: Nuno Ferreira
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Para os membros da URAP, a petição pretende “obrigar” os deputados a tomarem “uma posição” sobre o assunto que tem causado grande polémica e que já levou à realização de duas manifestações em Santa Comba Dão: uma contra o museu, protagonizada pela URAP, em que só a intervenção de um forte aparato policial evitou confrontos físicos; e a outra, em sentido contrário, da responsabilidade do movimento nacionalista Terra, Identidade e Resistência, conotada com a extrema-direita. No meio de tudo isto está a população de Santa Comba Dão, cuja maioria é a favor da criação do museu.

Opinião contrária tem António Vilarigues, da URAP, para quem o museu “não passará de um espaço para venerar o ditador”, podendo-se tornar no futuro como um “local de peregrinação de organizações fascistas”. Para o mesmo activista, o projecto do Museu de Salazar nasceu “em confronto com a Constituição da República e a Lei”. Apesar do projecto ter atingido interesse de âmbito nacional, a URAP justifica o número pouco elevado de aderentes à petição com o facto “de as acções de rua se terem realizado apenas na região de Viseu e Santa Comba Dão”.

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O Museu de Salazar deverá nascer na casa e espaço circundante onde, no dia 28 de Abril de 1889, nasceu António de Oliveira Salazar, no Vimieiro. O presidente da Câmara de Santa Comba Dão, João Lourenço, defende a criação do museu como forma de permitir uma “melhor compreensão” da história recente do País, mas o mesmo autarca assegurou ao CM que não está em causa a defesa de “quaisquer ideologias do passado”.

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