Docentes acusam Governo de agir à margem da lei

Centenas de professores vindos de todo o País participaram ontem numa vigília entre as 16h00 e as 00h00 à porta do Ministério de Educação como forma de protesto ao Estatuto da Carreira Docente (ECD), aprovado há um ano, no dia 19 de Janeiro de 2007.

19 de janeiro de 2008 às 00:00
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“Estamos completamente contra este ECD, que impõe um sistema de quotas. Ou seja, uma professora pode ser brilhante, mas se não tiver lugar nas quotas não poderá progredir na carreira, o que é profundamente injusto”, disse ao CM Manuel Rolo Gonçalves, presidente do Sindicato Nacional dos Professores Licenciados pelos Institutos e Universidades (SPLIU).

A iniciativa da vigília partiu da Plataforma Sindical dos Professores e teve como objectivo encerrar a ‘Semana de Luta e de Luto’ levada a cabo em todo o País.

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“A mensagem principal que pretendemos transmitir é a de que um ano depois o Estatuto ainda não entrou em vigor na sua plenitude e já criou uma série de consequências negativas: há mais desemprego e um clima de conflitualidade nas escolas”, explicou ao CM Mário Nogueira, secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof).

O dirigente deixou pesadas críticas à ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues: “A senhora ministra pensa que passou um ano e que agora é uma questão de acomodação às novas regras, mas vai ver que não é bem assim”.

Ao longo da tarde de ontem vários sindicatos acusaram o Ministério de Educação de “agir à margem da lei e de ter criado situações injustas e irregulares”. “Há centenas de processos individuais de professores nos tribunais contra o Ministério da Educação”, revelou Mário Nogueira.

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Já o Sindicato Independente de Professores e Educadores (SIPE) questionou o Governo: “Que sentido faz um professor de Informática ser avaliado por um de Biologia?”

DESCONTENTAMENTO DOS PROFESSORES

CARLA MARQUES

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“Este estatuto foi literalmente imposto pelo Governo. Estamos de luto”, sublinha a docente, que dá aulas em Viseu.

DANIEL ROSA

“Este ano há mais seis mil alunos a estudar e menos quatro mil professores. Basta fazer as contas”, comenta.

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SÓNIA ALVES

“Queremos que se altere o sistema de avaliação e que o ministério considere o trabalho individual dos docentes”, diz.

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