Doente acamado sem assistência

M. tem 31 anos e a 7 de Março sofreu um acidente de trabalho. Caiu de um andaime e deu entrada no Hospital de São Bernardo (HSB), em Setúbal. “Foi imediatamente transferido para o Garcia de Orta, em Almada, porque sofreu um traumatismo craniano e uma lesão na medula e precisava de neurocirurgia”, recorda ao CM uma pessoa que acompanhou o processo e que prefere manter o anonimato. Depois de ser operado, esteve 22 dias em coma induzido e, pouco depois, voltou a ser encaminhado para o HSB.

30 de julho de 2007 às 00:00
Doente acamado sem assistência Foto: Natália Ferraz
Partilhar

Testemunhas garantiram ao CM que M., cujo estado de saúde é débil, já contraiu viroses, uma vez que alegadamente está na mesma ala do que doentes com infecções. Contactado pelo CM, o HSB desmente e afirma que o doente está “internado no Serviço de Medicina, num quarto individual para o proteger do risco de infecções”.

“Ele precisa de fazer fisioterapia intensiva. No Garcia de Orta, sentavam-no num cadeirão e ele poderia ter começado a recuperar. Ninguém sabe por que razão o mudaram para o HSB, que não tem recursos e onde ele está simplesmente deitado numa cama. Nem o mudam de posição, pelo que tem feridas no corpo”, lamenta uma das testemunhas deste processo. O HSB reage dizendo que “se encontra dotado de recursos considerados suficientes”.

Pub

Uma pessoa amiga de M. que conseguiu visitá-lo (apesar de tal ser proibido pela mãe do internado) conta ao CM: “Fez uma traqueotomia e, por isso, tem um tubo na boca e não consegue falar, mas compreende o que lhe dizemos. Vi-o amarrado à cama e sedado. É desumano.” Já Cristina Batista, companheira do paciente há dois anos, desabafa: “Como é que o posso ajudar se não vejo a família e o hospital zelarem pela sua recuperação? Ele só tem 31 anos, esquiva-se lentamente à morte mas tem de se fazer algo.”

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar