Dois automobilistas confirmam que militares perdoavam multas

Guardas estão indiciados por crimes de corrupção passiva.

24 de outubro de 2016 às 18:53
Guarda Nacional Republicana, GNR, Torres Vedras, Loures, julgamento, multas, perdão, crime, lei e justiça, tribunal Foto: David Martins/Correio da Manhã
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O julgamento de três militares da GNR acusados de perdoarem multas a troco de dinheiro prosseguiu esta segunda-feira com a audição de cinco automobilistas alegadamente envolvidos nas trocas de favores, mas apenas dois confirmaram os factos descritos na acusação.

Os três militares, dois cabos e um guarda da GNR do Destacamento de Torres Vedras, estão indiciados por crimes de corrupção passiva, alegadamente ocorridos entre maio e novembro de 2013.

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De acordo com o despacho de acusação, os militares terão durante esse período abordado "por diversas vezes condutores que incorreram em infrações rodoviárias e, em troca de quantias monetárias ou de outras vantagens patrimoniais em género, como carne ou peixe, que solicitaram, não elaboraram ou prometeram não elaborar os respetivos autos de contraordenação".

O despacho refere ainda que a abordagem aos condutores era feita no local e posteriormente via contacto telefónico.

No entanto, na segunda sessão deste julgamento, que decorreu esta tarde na Comarca de Lisboa Norte, em Loures, dos cinco automobilistas ouvidos pelo tribunal, apenas dois confirmaram ao coletivo de juízes que deram quantias de dinheiro aos militares de GNR com o intuito de verem as suas multas de trânsito perdoadas.

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Num dos casos, segundo os testemunhos, a iniciativa de pedir dinheiro terá partido dos próprios militares e no outro do automobilista, que conduzia com a carta de condução caducada e sem a inspeção em dia.

No entanto, em ambos os casos o dinheiro dado aos militares não terá sido considerado suficiente para que as multas fossem perdoadas.

Os restantes três automobilistas ouvidos referiram que existiu apenas uma menção indireta à eventual troca de favores, uma vez que os militares os contactaram posteriormente por telemóvel para se encontrarem mais tarde e "conversarem melhor".

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Além dos militares da GNR, respondem em tribunal três civis acusados de corrupção ativa, por aceitarem a proposta de suborno apresentada pelos três guardas e terem visto, consequentemente, as suas multas perdoadas.

A próxima sessão está marcada para o dia 31 de outubro, pelas 09h00.

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