DONO DO BAR TRUMPS ERA UM ALVO
É cada vez mais provável que o assassino de Artur Esteves, sócio dos bares ‘gay’ Trumps e Bric-a-Bar, seja alguém das suas relações, ou pelo menos que com ele teria confiança.
Maria Olímpia, que conhecia Artur Esteves há muitos anos, não acredita “num encontro ocasional, alguém que o Artur pudesse levar para casa”, declarações que acabam por coincidir com as de Carlos Castro publicadas ontem no CM, a propósito do homicídio de Artur Esteves, cujo corpo foi descoberto na manhã de segunda-feira. Maria Olímpia salienta que Artur Esteves era “uma pessoa cautelosa”. Daí que eventuais suspeitas sejam difíceis de avançar, mas o sócio do Trumps era na verdade um alvo em si mesmo: “Ele era conhecido pelo Trumps e pelo Bric-a-Bar, mas essa era apenas uma faceta”. Artur Esteves tinha grandes investimentos na área imobiliária e uma das zonas onde tinha mais interesses era no distrito de Setúbal, onde aliás tinha comprado uma quinta, no Meco, num negócio com japoneses.
Era, aliás, no Meco onde Artur Esteves se encontrava quando no domingo Carlos Castro o contactou pela última vez. E “estava tudo bem. Não me lembro de qualquer tensão.”
O corpo do empresário é velado hoje, a partir das 12h00, na Igreja de S. João de Deus, Praça de Londres, sendo o funeral às 16h00 no cemitério do Alto de S. João.
FOI ROUBO OU CRIME PASSIONAL?
Uma das grandes questões que se colocam aos investigadores da Polícia Judiciária é desde logo estabelecer o móbil do crime: foi passional ou o roubo esteve por detrás do homicídio? Mas a resposta ainda não existe, no entanto, a verdade é que nada desapareceu da casa de Artur Esteves. E o recheio do 5.º direito, do número 19 da Rua D. João V, era de peso. Quem conhece a habitação diz que ela estava recheada de obras de arte muito valiosas, de autores nacionais e estrangeiros, mas quem assassinou Artur Esteves, com recurso a uma faca ou a um objecto contundente – uma questão que só a autópsia esclarecerá –, não tocou em nada, como se nada do que lá estava lhe interessasse. Mas afinal apenas interessaria a morte? Vingar-se? Calá-lo? É verdade que o sócio do Trumps era também um homem que emprestava dinheiro e isso poderia ser factor para conduzir a um homicídio. Mas quem conheceu Artur Esteves garante que ele não emprestava de qualquer maneira, tinha que ter garantias.
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