Dor, emoção e revolta no último adeus a Mariana

AIgreja de Telões tornou-se demasiada pequena para acolher as largas centenas de pessoas que ontem assistiram ao funeral de Mariana Ferreira, a menina de 11 anos que morreu no último domingo vítima de um atropelamento à porta de casa, numa “maldita” passadeira que, há precisamente nove anos, tinha roubado a vida ao avô.

20 de fevereiro de 2008 às 00:30
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Em Amarante, toda a gente, desde familiares a amigos, passando por vizinhos e colegas de escola, queriam prestar-lhe homenagem e dizer-lhe o último adeus.

“Mariana estarás sempre comigo”, era a mensagem que podia ler-se nas camisolas de uma centena de amigos e colegas de escola, que não conseguiram aguentar as lágrimas durante o funeral da Mariana.

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Na cerimónia, extremamente emotiva, três familiares que não aguentavam a dor, tiveram de ser assistidos pelos Bombeiros Voluntários de Amarante e transportados para o Hospital de São Gonçalo.

No percurso entre a Igreja e o cemitério, dois grupos de alunos das Escolas Primárias de Amarante, onde a Mariana estudou, estavam à espera do cortejo fúnebre com lenços brancos para dizer um último adeus à menina, vítima de uma “terrível tragédia”.

Acompanhado por uma professora que foi docente da menina, um amigo foi levar um ramo até ao carro fúnebre, símbolo da dor da comunidade escolar de Amarante.

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Nos três quilómetros que separam a Igreja de Telões do cemitério, muitos anónimos também pararam simbolicamente os automóveis em solidariedade para com a morte de uma criança que comoveu toda uma comunidade.

Nem a chuva torrencial, nem as filas de trânsito que se geraram na cidade durante o cortejo fúnebre, impediram as centenas de familiares e amigos de se deslocarem ao cemitério. Toda a cidade quis partilhar a dor de uma família que perdeu uma menina e um avô, numa passadeira que já conta com uma longa lista de vítimas mortais.

“Esta morte mexeu com todos nós. É natural que muitos habitantes marcassem presença neste funeral, apesar de não a conhecerem”, disse um morador da cidade.

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"A PASSADEIRA TEM DE SER SUBSTITUÍDA"

Num misto de homenagem e revolta, duas centenas de familiares e amigos concentraram-se, ontem à tarde, em silêncio, junto à “passadeira da morte” na EN15. Mariana morreu precisamente na mesma passadeira onde há nove anos o avô perdeu a vida.

A sinistra coincidência carregou ainda mais de luto e revolta a multidão que se juntou para dizer o último adeus à menina .

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“Com o nosso silêncio mostramos a nossa revolta, estás sempre connosco Mariana” – a mensagem inscrita num cartaz gigante, colocado sobre a Estrada Nacional, pretendia chamar a atenção das autoridades para a falta de segurança do local. “A menina merecia esta homenagem silenciosa”, disse ao CM Gloria Lemos, uma amiga, residente no local. A família colocou t-shirts com a foto da menina em cima na passadeira, em sinal de luto.

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