DRAMA ATINGE ARRÁBIDA

Os concessionários das praias da Arrábida têm o Verão estragado, perante a proibição de circulação automóvel nos treze quilómetros de estrada que separaram o hospital do Outão do cruzamento do Creiro, devido ao perigo de instabilidade da falésia. Na Figueirinha, ontem de manhã, os banhistas seriam 40. O cenário repetia-se nas Galapos.

07 de agosto de 2004 às 00:00
DRAMA ATINGE ARRÁBIDA Foto: Pedro Catarino
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Paulo Ribeiro, proprietário do Bar Galapos e concessionário desta praia, bem como das de Galapinhos e Coelho, diz não compreender a decisão do Instituto de Estradas de Portugal (IEP). "A ameaça de instabilidade da falésia nesta área não se verifica", considerou. O empresário ficou com a vida bastante complicada, assim como os seus 14 empregados. A alternativa nesta zona é deixar o veículo junto ao cruzamento do Creiro.

"A pé é possível fazer o caminho pela estrada, não é mais de meio quilómetro até Galapinhos e um quilómetro até Galapos", sublinhou Paulo Ribeiro. O comerciante apela aos banhistas para que regressem à Arrábida, agora com a possibilidade de passar um dia a banhos numa praia de águas calmas, areia branca e praticamente deserta. "Estamos a funcionar em pleno e as pessoas podem contar com uma praia segura com nadador- -salvador e tudo", disse.

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Com a proibição automóvel, para chegar a pé à Figueirinha é necessário deixar o carro estacionado no parque do Hospital do Outão e percorrer um quilómetro a pé (20 minutos), ao longo da EN 379-1. Esta é uma estrada com várias sombras, devido às árvores, e com uma vista deslumbrante sobre o estuário do Sado e a Península de Tróia.

Amantes da Figueirinha, Henrique Ribeiro, 55 anos, e a mulher, Alice, de 53, optaram por esta solução. "Para quem não tem crianças, é um caminho que se faz muito bem", considerou este morador em Azeitão, Setúbal. Igual opinião tem Ana Ferreira de 40 anos, emigrante em Troyes, França. "Compreendo a decisão de cortar a estrada. É um pouco chato, mas o caminho faz-se bem", disse.

"Quanto mais vierem a pé melhor", defendeu Fernando Elias, vendedor de artigos de praia. "Isto está muito mau, num dia de Agosto faço cerca de 500 euros, hoje às 14h00 só tenho 7,5. Agora como é que vou pagar aos fornecedores?", interrogou o vendedor enquanto olhava para a sua loja apinhada de artigos e vazia de clientes.

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RUI FIGUEIREDO, SÓCIO DO BAR-MAR

Correio da Manhã - Como reagiram ao saber que o trânsito para a Figueirinha iria ser cortado?

Rui Figueiredo - Mal. Foi uma noite carregada de stresse. A estrada foi cortada na noite de quarta-feira e só fomos informados pelo IEP às 21h55. Ficámos todos muito exaltados. Acabámos por decidir que não temos condições para estar abertos. Vamos ter de dispensar alguns dos nossos 30 empregados. Isto provoca danos psicológicos enormes pois todos temos encargos familiares. Falámos com os empregados e ficou tudo a chorar. É triste ter de mandá-los embora.

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Reuniram com os responsáveis do Parque Natural?

Ficou acordado que vamos ser indemnizados, que os ordenados dos trabalhadores serão pagos nos oito meses em que o trânsito será cortado. Mas é tudo diferente. Sabe o que é vender mais de mil bicas por dia e hoje não vender uma?

O que pensa das obras decorrerem no Verão?

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Não se admite que tenha havido uma derrocada a 16 de Dezembro de 2002 e durante quase dois anos não se fez nada.

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