Edifício Transparente no Porto sem compradores

Ninguém se mostrou interessado em comprá-lo em hasta pública.

16 de fevereiro de 2017 às 13:33
Câmara do Porto, Edifício Transparente, Porto, Capital Europeia da Cultura, Via do Castelo do Queijo, Parque da Cidade, Bloco de Esquerda, CDU, PS, PSD, Rui Moreira, política, autoridades locais, economia, negócios e finanças Foto: Direitos Reservados
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A hasta pública promovida hoje pela Câmara do Porto para venda do denominado Edifício Transparente pelo valor base de 7,96 milhões de euros ficou vazia, terminando sem nenhuma licitação, disse à Lusa fonte oficial da autarquia.

Segundo fonte do gabinete de comunicação da Câmara do Porto, o imóvel pode agora ser levado a nova hasta pública ou, nos termos da lei, durante um ano pode ser colocado à venda por ajuste direto, "desde que o preço seja apenas 5% inferior" ao valor base inicial.

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"A câmara normalmente coloca à venda por ajuste direto e só depois faz nova hasta pública, mas essa é uma decisão a tomar ainda", acrescentou.

A alienação do Edifício Transparente - concebido pelo arquiteto espanhol Solá-Morales no âmbito da Porto Capital Europeia da Cultura 2001 e posteriormente reconvertido pelo português Carlos Prata -- tinha sido deliberada no verão passado em reuniões do executivo camarário e da assembleia municipal.

O imóvel situa-se na Via do Castelo do Queijo, nos números 325 a 429, e ocupa uma área total de 3.693 metros quadrados, dos quais 1.612 metros quadrados são de área coberta, 1.561 metros quadrados são de área descoberta e 520 metros quadrados são de área privada de utilização pública, destinada a comércio/serviços.

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O edifício, que se localiza junto à frente marítima do Parque da Cidade, é composto por cave, rés-do-chão, dois pisos e mezanino.

A 12 de setembro de 2016, na reunião da assembleia municipal em que foi aprovada a alienação -- com sete votos contra, oito abstenções, muitas críticas do Bloco de Esquerda, alguns alertas da CDU e o silêncio de PS, PSD e do grupo afeto ao presidente da Câmara do Porto, o independente Rui Moreira - o Edifício Transparente foi por este descrito como "um centro comercial" em mau estado, que se encontra "em vias de abandono e em estado avançado de vetustez".

Recordando que, há cinco anos, o anterior executivo também pretendeu alienar o edifício, por cerca de metade do preço proposto desta vez, o autarca relembrou que na altura houve um recuo porque a Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL) argumentou que integrava o domínio público marítimo.

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A esse respeito, Rui Moreira apoiou-se num mapa para sustentar que o edifício está fora desse domínio e afirmou não ver razões para a câmara possuir "um centro comercial", porque "não é um bom senhorio".

Na ocasião, Moreira questionou a valia patrimonial do edifício, referindo que "o edifício não foi classificado, mas o tempo e o mar mostraram que tem um problema".

O imóvel encontra-se concessionado até 2024 e os perto de oito milhões de euros que a câmara pede por ele contemplam já a indemnização de 1,6 milhões de euros a pagar ao atual arrendatário para que o imóvel possa agora ser colocado no mercado imobiliário livre de qualquer ónus.

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