EDUCADORES PARADOS

Os pais das crianças em idade pré-escolar vão ser obrigados a procurar hoje alternativas aos jardins de infância públicos devido à greve nacional de educadores, para a qual os sindicatos prevêem uma forte adesão.

07 de outubro de 2002 às 20:19
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Em causa está o novo calendário escolar para os jardins de infância, que antecipa o início da sua actividade em relação aos ensinos básico e secundário, e reduz substancialmente as pausas lectivas dos educadores.

O protesto é convocado pela Federação Nacional dos Professores (Fenprof, afecta à CGTP), mas não reúne a unanimidade sindical, dele se demarcando nomeadamente a Federação Nacional dos Sindicatos de Educação (FNE/UGT), por não considerar ofendidos os direitos dos trabalhadores.

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O mesmo não entende a Fenprof. À Lusa, a dirigente sindical Maria do Céu Silva sustentou que o novo calendário "é um atentado aos direitos profissionais" dos educadores de infância, e "vai contra o que está estabelecido na carreira docente".

"Ao serem reduzidas as pausas, os educadores ficam sem tempo para reuniões pedagógicas, de planificação e acções de formação, o que vem prejudicar muito o seu trabalho", justificou a dirigente sindical e também educadora.

O Ministério da Educação pretende com esta medida dar resposta a milhares de famílias que são confrontadas todos os anos com horários de trabalho e períodos de férias diferenciados das ofertas das escolas.

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Para a Fenprof, trata-se de uma "falsa questão", na medida em que os jardins de infância podem sempre funcionar na sua componente social se os pais assim o entenderem, com o apoio dos auxiliares educativos.

"O que nós defendemos é mais qualidade para o funcionamento da componente social. Deveria ser alargada e desenvolvida não pelas educadoras ou auxiliares, mas com outros profissionais da área educativa", argumentou Maria do Céu Silva.

Os jardins de infância da rede pública passam a estar abertos mais 16 dias úteis por ano lectivo do que os restantes níveis de ensino. Têm apenas uma pausa de três dias na Páscoa e a do Carnaval é anulada.

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O ensino básico e secundário encerram no período do Natal entre 19 de Dezembro e 3 de Janeiro, para as educadoras de infância a pausa limita-se a uma semana, entre o Natal e o Ano Novo.

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