Embrulha a mãe de 95 anos num lençol antes de a enterrar no quintal da casa onde viviam
Jorge Amaro Leite, 61 anos, contou no café que se despediu da mãe com um beijo. Doente esquizofrénico está em liberdade. Autópsia será fundamental para esclarecer causas da morte.
"Calma que eu não matei a minha mãe, apenas a enterrei no quintal". A afirmação, em tom de anúncio público, foi feita por Jorge Amaro Leite, de 61 anos, no sábado, às 07h30 da manhã, ao entrar num café em frente ao santuário de Nossa Senhora do Porto de Ave, em Taíde, Póvoa de Lanhoso. Contou depois como tudo aconteceu. Que "há dois ou três dias", encontrou a mãe morta na cama, lhe deu um beijo na testa, a embrulhou num lençol e a arrastou até ao quintal, onde a enterrou. O corpo de Guiomar Leite, de 95 anos, foi encontrado na sexta-feira, pelas 18h45, depois de o próprio filho ter confessado tudo ao irmão.
Jorge Amaro, doente esquizofrénico, que já passou por vários internamentos psiquiátricos, não foi detido. No sábado de manhã, questionado pelo Correio da Manhã, na casa onde vivia com a mãe e um irmão, confirmou tudo. "A minha mãe morreu na cama, sossegada, e eu depois enterrei-a ali", afirmou.
A forma como Guiomar morreu continua por esclarecer. Embora não tenham sido encontrados na casa, nem no cadáver, sinais evidentes de uma morte violenta, a autópsia que será realizada no Gabinete Médico Legal de Braga, é fundamental para se perceber como e quando a morte ocorreu. Nos últimos dias os vizinhos tinham estranhado a ausência de luz na casa e o facto de Jorge - que há cerca de duas semanas estava sozinho a cuidar da mãe idosa - sair de casa de manhã e só regressar à noite.
Também num dos cafés que costumava frequentar, a proprietária, Sandra, estranhou o facto de não levar comida para a mãe. "Pedia-me sempre um bolo para ele e outro para a mãe e esta semana não quis levar nada para a senhora. Achei estranho e perguntei-lhe se não levava também para a mãe e ele não respondeu", contou a proprietária do café.
O caso macabro foi descoberto na sexta-feira, quando o irmão de Jorge chegou da Suíça e perguntou pela mãe. O homem contou o que tinha feito.
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