Escola escondia explosivos

A Escola Secundária Felismina Alcântara, em Mangualde, foi na sexta-feira à tarde evacuada depois de terem sido encontradas onze velas de Gelamonite 33 – barras de dinamite utilizadas nas pedreiras – que tinham sido levadas para o interior do estabelecimento escolar por um grupo de cinco alunos do oitavo ano.

30 de janeiro de 2005 às 00:00
Escola escondia explosivos Foto: Luís Oliveira
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O caso provocou o pânico na comunidade escolar e obrigou a um reforço de segurança por parte da GNR. Os alunos, que foram identificados pelas autoridades, confessaram ter ido buscar o material a um barracão situado numa zona em obras, próximo da escola. Os jovens carregaram as mochilas de velas, espalharam 18 pelo caminho e conseguiram entrar com onze para dentro da escola.

A situação foi comunicada às autoridades às 16h45 pelo presidente do Conselho Executivo da Escola, depois de uma funcionária ter descoberto no cacifo de um aluno uma barra de explosivo e um rolo de 200 metros de rastilho.

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A GNR deslocou-se para o local, procedeu à evacuação e vedou todo o perímetro escolar. Uma Equipa de Inactivação de Engenhos Explosivos Improvisados da GNR de Viseu passou a ‘pente fino’ toda a escola e encontrou mais 10 velas de explosivos em dois caixotes do lixo.

Os alunos, com idades entre os 14 e 16 anos, disseram às autoridades que tencionavam fazer “bombinhas de Carnaval” e mostaram-se “arrependidos”. Os pais foram chamados à escola e informados do sucedido.

A GNR identificou posteriomente o proprietário do paiol, em forma de barracão, onde estavam ainda 117 barras de gelamonite e 100 detonadores. “O material foi apreendido e estamos a investigar se estava ou não devidamente legalizado”, referiu o capitão Marco Gonçalves, oficial-de-dia da GNR. O caso foi comunicado ao Ministério Público.

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“São brincadeiras de crianças que poderiam ter provocado uma tragédia, dado o perigo do explosivo”, disse outra fonte policial.

Paulo Jorge, aluno do 8.º ano daquela escola, diz que só se apercebeu do caso depois de ver o aparato policial. “Eu não sabia de nada e fiquei muito admirado. Não acredito que eles quisessem rebentar com a escola. O Carnaval está próximo”, referiu o aluno.

PROFESSORES E PAIS ALARMADOS

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A presença das barras de dinamite na Escola Secundária Felismina Alcântara causou algum pânico junto da comunidade escolar. Professores, alunos e depois alguns pais ficaram muito admirados com a descoberta.

O mesmo sucedeu com Agnelo Figueiredo, presidente do Conselho Executivo do estabelecimento que não acredita que os alunos quisessem “fazer mal à escola ou a alguém”. “Isto não passou de uma brincadeira de miúdos”, adiantou o professor, salientando que o proprietário do barracão “deve ser responsabilizado, porque material deste não pode estar à mercê de ninguém”.

“Eu nem queria acreditar, tive que ir ver e fiquei muito transtornado porque aquelas bombas poderiam rebentar” referiu António Silva, pai de um aluno que frequenta a escola.

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GELAMONITE 33 É USADA EM OBRAS E PEDREIRAS

Afinal o que é a gelamonite 33? Trata-se de um explosivo gelatinoso à base de nitrato de amónio, nitroglicol e absorventes orgânicos, de elevada densidade e de grande resistência à água. A gelamonite 33 é um explosivo de múltiplas aplicações, tanto em céu aberto, geralmente usado em pedreiras, abertura de túneis e galerias, e sempre que seja necessária uma elevada concentração de energia. Este explosivo é ainda usado como iniciador.

De acordo com os fabricantes, é conveniente que a armazenagem tenha lugar em paióis secos, ventilados, e em condições de temperatura moderada. O período de armazenagem na embalagem de origem não deve ser superior a seis meses.

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A exposição das embalagens que contêm gelamonite 33 à acção directa dos raios solares por períodos longos, sob pena do acréscimo da temperatura, pode deteriorar o explosivo, levando a acidentes. No estudo deste explosivo são contempladas as seguintes características: densidade, energia total, força, intervalo de propagação, velocidade de detonação e volume de gases.

LEI NÃO OBRIGA A SEGURANÇA MAS PENALIZA NEGLIGÊNCIA

O armazenamento da gelamonite 33 é regulado pelo Decreto-Lei n.º 376/84 de 30 de Novembro, complementado por um outro com o n.º 139/2002, de 17 de Maio. Estes diplomas referem quatro pontos essenciais. Assim, à entrada de estrutura de armazenagem localizada fora do local de fabrico não se considera obrigatória a existência de pessoal de segurança, bastando a afixação de uma tabuleta de aviso e proibição de circulação.

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A norma regulamentar determina ainda que a inscrição deve estar localizada em posição bem visível e com instruções sobre as normas de segurança a observar, bem como a indicação da natureza e da quantidade máxima dos produtos explosivos ou das matérias perigosas que neles podem existir e os perigos que oferecem.

Para além do armazenamento de explosivos também a negligência no seu tratamento é punida. As coimas podem variar entre os 22 euros e meio e os 2250 euros. A aplicação de coimas compete à Polícia de Segurança Pública ou ao presidente da Comissão de Explosivos.

COMUNIDADE ESCOLAR E SEGURANÇA

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A Escola Felismina Alcântara fica situada em frente às piscinas municipais de Mangualde. É frequentada por meio milhar de alunos do 7.º ao 12.º ano e tem uma pessoa responsável pela vigilância.

POUCA GENTE

Naquela altura, às 16h45, já estavam poucas pessoas na escola. Agnelo Figueiredo, que não activou o plano de emergência, salienta que se tivesse sido de manhã “tinha-se originado um pandemónio”.

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EVACUAÇÃO

A GNR fez deslocar para o local dezena e meia de militares que coordenaram a evacuação da escola e estabeleceram um perímetro de segurança. A equipa de explosivos levou duas horas a vistoriar o recinto.

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