"Espancaram-nos e amarraram-nos. Foi horrível o que vivemos em Israel": ativistas portugueses relatam detenção

Ativistas portugueses que seguiam numa flotilha para Gaza foram espancados e tortuados pelas forças israelitas.

22 de maio de 2026 às 13:05
"Espancaram-nos e amarraram-nos. Foi horrível o que vivemos em Israel": ativistas portugueses relatam detenção Foto: Giovani Gomes, CMTV
Ativistas Portugueses Foto: Giovani Gomes, CMTV
Ativistas Portugueses Foto: Giovani Gomes, CMTV
Ativistas Portugueses Foto: Giovani Gomes, CMTV

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"Foram momentos muito duros. Foi horrível o que lá vivemos. Bateram-me, amarraram-me as algemas com tanta força que ainda não sinto três dedos da mão, deram-me cotoveladas... A violência foi muito gratuita". O testemunho é de Gonçalo Reis dias, médico e ativista, detido, na segunda-feira, pelas forças israelitas. Seguia numa flotilha humanitária para a Faixa de Gaza, juntamente centenas de ativistas, entre eles, outra portuguesa: a médica Beatriz Matos. 

As 72 horas que ficaram às mãos dos israelitas, nunca serão esquecidos. "Havia dois barcos, no nosso houve duas pessoas baleadas, uma numa perna e outra no baço. Fomos confrontados com muita violência física, mas também psicológica", explica o médico. Também Beatriz Matos recordou, esta sexta-feira de manhã à chegada ao aeroporto Francisco Sá Carneiro, o drama vivido, por cerca de 430 ativistas. "Fomos torturados e espancados. Pelo menos contamos 35 pessoas, com membros partidos, algumas alvejadas. Foi horrível", revelou a médica agora libertada. 

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Os dois portugueses foram libertados, ontem, e levados para Istambul, na Turquia, de onde partiram, esta manhã, rumo ao Porto. Foram recebidos, no aeroporto, por cerca de 50 pessoas - entre ativistas, amigos e familiares. A receção calorosa, "aquece os corações" dos dois médicos, no entanto, Beatriz confessa que é preciso mais. "Sinto-me, ao mesmo tempo, emocionada com tanta gente, mas triste por ver que esta solidariedade com o povo palestino não acontece todos os dias", lamentou.

O Ministro da Segurança Nacional Israelita divulgou vídeos dos ativistas a serem torturados, mas, segundo os portugueses, o que ali é mostrado "é a parte boa". "O que viram no vídeo foi a parte boa. Fomos espancados sistematicamente, com violência gratuita", disseram. 

A missão ficou a meio, mas esperam que algo mude. "Espero isso há muitos anos: que o Governo se posicione e corte relações com Israel", esclareceu Beatriz Matos.

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Os dois médicos ativistas estão de volta a casa. Olhando para trás, voltariam a fazer tudo de novo. 

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