“Esperamos o corpo para funeral digno”
"Pelo menos, que o mar devolva o corpo", desabafa Ilídio Santos, padrinho de José Carlos Santos, de 26 anos, que desapareceu anteontem no mar da praia da Areia Branca, na Lourinhã, e ainda não foi encontrado pelas autoridades de socorro. Desde o início do ano, já morreram 31 pessoas afogadas, em praias, rios, barragens e piscinas, acidentes que preocupam as autoridades, até porque a época balnear ainda nem sequer começou na maior parte das praias.
Na Lourinhã, José Santos, órfão de pai e mãe, desapareceu quando nadava num sítio com forte corrente e onde há muitos fundões. "Ele ainda levantou as mãos a pedir ajuda, mas depois uma onda levou-o, e os amigos deixaram de o ver", diz ao CM Ilídio Santos, adiantando que o jovem, que vivia sozinho, "raramente ia à praia porque não sabia nadar muito bem".
Bombeiro há mais de 31 anos, Ilídio sabe como terminam estes desaparecimentos. "Agora, só esperamos que o mar nos devolva o corpo para se fazer um funeral digno." Um helicóptero da Força Aérea participou nas operações de busca até às 14h00 de ontem, mas foi desactivado porque, segundo Luís Patrocínio Tomás, comandante do Porto de Peniche, "já percorreu a zona que deveria percorrer e já não se justifica" a sua presença no teatro das operações. No sábado, o calor e a vontade de tomar banho também custaram a vida a um cidadão ucraniano. Taras Hlushko, de 34 anos, foi com amigos fazer um churrasco nas margens da barragem do Caldeirão, na Guarda. Após a refeição, foi nadar e acabou por desaparecer – um amigo ainda o tentou salvar, sem sucesso. Foi encontrado cinco horas depois pelos mergulhadores dos Bombeiros Voluntários de Viseu.
Desde Janeiro, já morreram afogadas 31 pessoas: 11 em praias, nove em rios, seis em poços, três em barragens e duas em piscinas.
MARINHEIROS VIGIAM PRAIAS
Militares da Marinha estão destacados para patrulhar as principais praias do Algarve durante a época balnear. No total, o dispositivo é constituído por 100 elementos, repartidos por quatro meses (entre Junho e Setembro).
Neste momento, encontram-se já 19 militares a fiscalizar as praias da região, mas o número subirá em Julho e Agosto. O comandante das capitanias de Portimão e Lagos, Cruz Martins, diz que existe uma coordenação com os meios da Polícia Marítima para permitir uma rápida intervenção.
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