Estado paga por falhas que levaram à tragédia em Borba
Indemnizações não consolam familiares das vítimas que morreram esmagadas.
O sofrimento das famílias das cinco vítimas mortais da derrocada da estrada municipal 255 custa a passar. O luto trespassou o Natal e nem a notícia do pagamento de uma indemnização - cujo valor será definido após avaliação da Provedora da Justiça - ajuda a superá-lo. Os pais de José Rocha, que morreu aos 53 anos, continuam desolados.
O dinheiro não os conforta. "Quem está a tratar de tudo é a mulher dele", limitaram-se esta sexta-feira a dizer ao CM, com a voz embargada.
A decisão de indemnizar foi tomada na sequência do relatório preliminar da Inspeção-Geral da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território. Apesar de o documento apontar "responsabilidades claras a entidades terceiras" — nomeadamente à autarquia, responsável pela manutenção da via —, "indicia contudo que a administração central poderá não ter prosseguido de uma forma diligente".
O mesmo documento aponta no sentido de que, desde 2014, a Câmara de Borba sabia dos riscos de derrocada, nada tendo feito para evitar a tragédia, que aconteceu em novembro quando a estrada cedeu e matou cinco pessoas.
"Não é fácil ser considerado um criminoso"
"Não é fácil ser considerado um criminoso""Não é fácil ser considerado um criminoso no País inteiro. Toda a gente diz que eu sabia e eu não sabia. Se eu soubesse que havia perigo, evidentemente que eu a fechava a estrada. Passava lá todos os dias", disse ao CM o autarca de Borba.
"Não assumo culpa nenhuma em relação a coisa nenhuma. Confio na Justiça. A perda das pessoas é o que mais me dói", diz António Anselmo quando confrontado com os novos dados da investigação.
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